Portugal de pernas para o ar devido à greve geral

Esta quinta-feira realiza-se em Portugal uma greve geral, a primeira em 12 anos, convocada pela CGTP e UGT contra a revisão da legislação laboral proposta pelo Governo, afetando sobretudo saúde, educação e transportes.
Nos hospitais, a adesão chega a 90%, com destaque para a Maternidade Alfredo da Costa (100%), Hospital de Santa Maria (90%), Hospital de S. José (98%) e Hospital de São João (95%). O Sindicato dos Enfermeiros aponta adesões superiores a 90% em várias unidades, incluindo o IPO do Porto e o Hospital do Fundão, embora noutros locais, como Faro e Elvas, a adesão seja menor.
As escolas estão fechadas em diversos concelhos, como Sintra, Oeiras, Odivelas, Vila Franca de Xira e Covilhã, devido à forte participação de professores e funcionários.
Nos transportes, o Metro de Lisboa está encerrado durante todo o dia, enquanto o trânsito no centro de Lisboa enfrenta condicionamentos a partir das 14h00. No aeroporto de Lisboa, foram cancelados mais de 400 voos, com a TAP a operar apenas os serviços mínimos. Momentos de tensão registaram-se junto à Carris, com piquetes da greve e PSP.
As organizações sindicais defendem que a greve representa a resposta dos trabalhadores ao “ataque que está a acontecer ao trabalho”. Paulo Raimundo afirma que a “unidade dos trabalhadores” deve enfrentar a proposta “inqualificável” do Governo, enquanto Tiago Oliveira, da CGTP, considera a greve uma “resposta firme dos trabalhadores”. A UGT, através de Mário Mourão, alerta que o Governo receberá um sinal de que “alguma coisa está a fazer mal”.
Por sua vez, o Governo minimiza os efeitos, com António Leitão Amaro a afirmar:
“A esmagadora maioria dos trabalhadores está a trabalhar, o país está a trabalhar. Na verdade, se olharmos à adesão, parece mais uma greve da função pública, parcial em alguns setores. Alguns setores têm um impacto grande, como o dos transportes, assistentes nas escola, mas repito: o nível de adesão, no conjunto do país, é inexpressivo.”
Na saúde, a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, criticou Luís Montenegro:
“Continuamos sem soluções em cima da mesa que tragam condições dignas para os médicos estarem no SNS. Todos os dias perdemos gerações de médicos que não querem ficar no SNS e o responsável chama-se Luís Montenegro.”
O impacto da greve generalizada deixa o país praticamente paralisado, com voos cancelados, escolas encerradas, transporte público suspenso e manifestações nas ruas.





