Pausas para hidratação dão que falar e a UEFA já tomou medidas

A UEFA confirmou que não irá tornar obrigatórias as pausas para hidratação no Euro 2028, competição que será disputada no Reino Unido e na República da Irlanda. Ao contrário do que acontece no Mundial 2026, organizado por Estados Unidos, Canadá e México, as interrupções só acontecerão quando forem consideradas necessárias devido às condições climatéricas.
No Campeonato do Mundo, a FIFA implementou uma pausa de três minutos em cada parte de todos os jogos, justificando a medida com a proteção do bem-estar dos jogadores perante as elevadas temperaturas. Contudo, a decisão tem sido alvo de críticas por parte de jogadores, treinadores e adeptos, que defendem que estas paragens acabam por servir sobretudo para a transmissão de publicidade pelas televisões.
Em declarações ao Telegraph, um porta-voz da UEFA esclareceu que o organismo não pretende seguir esse modelo no Europeu de 2028. A regulamentação da UEFA determina que as pausas para arrefecimento apenas são obrigatórias quando a temperatura durante um encontro ultrapassa os 32 graus em competições seniores, tornando improvável que sejam frequentes no torneio, que terá jogos em Inglaterra, Escócia, País de Gales e República da Irlanda.
O descontentamento com a medida já ficou visível no Mundial. No triunfo da Inglaterra sobre a Croácia (4-2), em Dallas, num estádio climatizado, o árbitro Clement Turpin foi assobiado pelas duas claques ao interromper o encontro aos 22 minutos. Também no Noruega-Iraque, em Boston, houve pausas apesar de a temperatura rondar apenas os 23 graus, enquanto no Gana-Panamá, disputado em Toronto sob chuva, registaram-se igualmente duas interrupções.
Marcelo Bielsa, selecionador do Uruguai, foi uma das vozes mais críticas da decisão da FIFA. «De acordo com o consenso geral, jogar quatro períodos em vez de dois altera a conceção culturalmente construída de como interpretar o futebol. Na minha opinião, não acrescenta nada e retira muito», afirmou.
O técnico aprofundou depois a sua posição: «Quando [o jogo] foi dividido em quatro períodos, não se pensou no efeito que poderia ter naquilo que torna o futebol um desporto tão cativante, mas sim noutras repercussões que não estou a discutir nem a analisar. Estou a dizer que, antes desta decisão, o futebol tinha uma característica e agora tem outra diferente. As pessoas apaixonam-se pelo jogo devido às suas características. Há grandes sucessos, como a influência do VAR, que melhorou o jogo, mas esta outra tentativa tem consequências que não são positivas. Estas não são apenas as minhas opiniões, mas uma visão geral.»





