O estouro natalício de André Villas-Boas a Frederico Varandas “hipocrisia”

André Villas-Boas reagiu às recentes declarações de Frederico Varandas no editorial da revista Dragões, respondendo às críticas feitas pelo presidente do Sporting após a vitória em Guimarães. Varandas tinha falado numa alegada “histeria coletiva” no futebol português e defendido que a arbitragem é hoje “livre”, depois de décadas sob controlo de FC Porto e Benfica.
No texto, o presidente do FC Porto acusou o líder leonino de incoerência e falta de memória, começando por afirmar: “Ontem, o Presidente do Sporting teve mais uma das suas habituais tiradas, plenas de hipocrisia e de memória seletiva sobre a história do futebol português. Assumindo que foi beneficiado nos Açores, por duas vezes, decidiu discretamente ignorar todos os outros episódios em que, por mero infortúnio, o seu clube beneficiou de erros que, na sua opinião, podem acontecer em qualquer campo.”
Villas-Boas criticou ainda o discurso de superioridade moral assumido por Varandas, sublinhando: “Diz ele que no Sporting são diferentes e que, quando beneficiados, saem a terreiro e admitem-no; tudo o resto são casos normais do jogo.”
Como contraponto, o dirigente portista recordou um episódio da época passada, envolvendo Pepê, destacando um exemplo de fair play: “Na época passada, frente ao Estoril, Pepê recebeu a bola nas costas da defesa e tinha caminho livre para marcar, mas viu Pedro Amaral lesionar-se na coxa. Em vez de continuar a jogada, Pepê parou, levantou a bola e chamou a equipa médica, demonstrando preocupação com o adversário. Esse gesto deu a volta ao mundo e foi reconhecido pela Liga e pela FPF como o ato de fair play do ano.”
No mesmo texto, Villas-Boas abordou também o polémico caso da arbitragem recente, defendendo mudanças profundas: “Os 12 minutos da falha do VAR e a decisão incompreensível tomada de seguida deveriam ser suficientes para uma revolução e uma auditoria profunda à tecnologia VAR e aos critérios de decisão arbitral adotados esta época.”
O presidente do FC Porto apontou ainda o dedo a Hjulmand, capitão do Sporting, deixando uma crítica direta: “Mas também deveriam ter sido suficientes para fazer refletir o capitão do Sporting e fazê-lo admitir que é feio cair na área e ganhar indevidamente um penálti ao toque de um dedo na cara.”
Na conclusão, Villas-Boas voltou a atacar o discurso de Varandas e reforçou a identidade portista: “Ao fazê-lo seria efetivamente diferente, ao ignorá-lo acabou por ratificar o nível de hipocrisia em que vive o discurso do presidente do seu clube. É por isso que, no caso do FC Porto, construímos uma dimensão identitária que nos distingue dos demais ao sermos, também nós, durante décadas o ‘Homem na Arena’ do futebol português, o bicampeão europeu e bicampeão mundial que em território nacional enfrenta todos os dias os poderes instalados e a desvalorização permanente dos seus jogadores, dos seus técnicos e dos seus feitos.”





