José Mourinho explicou como faz para gerir as emoções nos jogos

José Mourinho explicou de que forma gere as emoções após os jogos, sublinhando que essa postura foi herdada do pai, Félix Mourinho, e que raramente se deixa levar por reações no final das partidas.
“Era um líder extraordinário, com uma tranquilidade incrível, com um controlo das emoções ao mais alto nível. Há uma coisa nele que eu agarrei e não mudo, que é: depois do jogo, não é o momento certo para falar com os jogadores, para expressar emoções, sejam elas positivas ou negativas. É muito difícil alguém ver-me exaltar depois de um jogo, no balneário, como é depois muito difícil verem-me depois a dar uns pontapés nas portas. Ao intervalo, sim. No final, não. No final, não há nada a fazer. Isso eu bebi do meu pai. A honestidade, eu percebi desde cedo que os jogadores apreciavam muito. E aquela coisa do pai doce e do pai tirano, é uma coisa que se aplica desde que seja no momento certo. Honestidade, acima de tudo”, afirmou.
O treinador recordou ainda a ligação especial que teve com Eusébio, apesar de não serem propriamente amigos próximos, destacando gestos marcantes durante a infância, muito por influência do pai, e também um episódio já na fase adulta.
“Conheci o Eusébio. Tive o privilégio de ser, não diria amigo, amigo, mas ele tinha muito carinho por mim. Olhava para ele com uma admiração fantástica. O nosso aniversário era com um dia de diferença. Ele no dia 25 e eu 26. E desde pequeno, não sei como é que o meu pai conseguia aquilo, mas houve um período da minha vida que eu tinha sempre uma prenda do Eusébio. Eu tinha uma camisola do Eusébio, um postal dele com a Bota de Ouro, autografado por ele. Eles tinham uma boa relação e houve um período em que o meu pai me fazia ter este contacto com o Eusébio. Depois, volto a reencontrar o Eusébio, na Luz, na primeira Taça Eusébio, em que o jogo acaba, e no fim do jogo tive o impulso de pedir ao Massimo Moratti, a taça para mim. Eu tenho a Taça em casa. Já disse aqui no Benfica, que se a dona Flora, uma das filhas ou netas fizer muita questão de ter a primeira Taça Eusébio, que eu a dou. Mas até agora, ninguém me disse nada e a primeira Taça Eusébio está na minha casa”, contou, em declarações à Rádio Renascença.
Mourinho revelou também que o primeiro convite para assumir o papel de treinador principal surgiu por parte do Sp. Braga, numa altura em que estava no Barcelona, mas foi travado pelo conselho do pai.
“O meu pai na minha carreira, quando começou a perceber que eu tinha pernas para trepar, foi mais espectador e meteu a responsabilidade toda nas minhas mãos, mas houve um momento específico em que me deu uma opinião. Ele dava poucas e quando dava era muito objetivo. Eu estava no Barcelona e sou convidado pelo Sp. Braga. É o primeiro clube que me faz convite para ser treinador principal. Eu tenho aquele impulso e ele disse-me ‘tem juízo’. E disse-me, ’hoje o Sp. Braga, amanhã o V. Guimarães, o Belenenses, o Marítimo, algum vai ser o primeiro, mas Barça, adjunto, a trabalhar com jogadores de alto nível, tem juízo, a tua hora vai chegar”, recordou.
Por fim, partilhou ainda um momento marcante relacionado com o fim da carreira do pai, explicando como tomou consciência dessa decisão.
“Lembro-me quando ele decidiu deixar de jogar. Não sei especificamente o último jogo dele, mas ele tinha pensado acabar no final da época, mas numa segunda feira vai-me buscar à escola e diz-me ‘vou deixar de jogar’. E eu pergunto porquê? ’Porque o golo que sofri ontem, não tinha sofrido há um ano ou dois. Acabou. Chegou ao Belenenses e disse que ia continuar a treinar e passar de primeiro para terceiro guarda-redes. Se tiver de ir a suplente, preparo-me até final da época, mas a minha carreira acabou aqui. Depois lembro-me que tem de ir a suplente num jogo, com o Montijo, mas na minha cabeça quando foi convocado para aquele jogo, ele ia jogar. Convenci-me que ele ia jogar e quando o vi no banco, foi quando interiorizei que tinha mesmo acabado”.





