Jorge Jesus oficializado na seleção portuguesa: Tudo o que disse na apresentação

Jorge Jesus foi oficialmente apresentado como novo selecionador nacional, sucedendo a Roberto Martínez. Na cerimónia, realizada na Cidade do Futebol, o treinador português assumiu o objetivo de conquistar títulos e garantiu estar preparado para liderar uma das melhores seleções do mundo.
Antes da intervenção de Jorge Jesus, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, destacou o início de “uma nova era” para a Seleção Nacional, precisamente no dia em que se assinalam 10 anos da conquista do Euro 2016. O dirigente afirmou que a chegada de Jorge Jesus representa “uma nova cultura de exigência e de vitória”, com foco na preparação do Euro 2028 e do Mundial 2030. Considerou ainda o treinador “um dos melhores da história do futebol português” e afirmou que, com ele, Portugal estará “mais perto da vitória”.
Na primeira intervenção como selecionador, Jorge Jesus agradeceu a confiança da FPF e afirmou sentir um enorme orgulho por assumir o comando da equipa nacional. “Hoje viemos para vencer”, declarou, sublinhando que Portugal possui qualidade suficiente para lutar pelos maiores objetivos. Disse ainda que sempre foi um treinador muito ligado ao trabalho de campo e revelou que contará com Lourenço Coelho, com quem trabalhou durante seis anos no Benfica. O primeiro compromisso oficial será em setembro, frente ao País de Gales.
Questionado sobre o maior desafio da carreira, rejeitou a ideia de que treinar uma seleção seja muito diferente de orientar um clube. Explicou que a principal diferença reside no menor tempo disponível para trabalhar, mas garantiu ter-se preparado especificamente para este desafio. “Preparei-me desportivamente para treinar a nossa seleção”, afirmou.
Sobre a pressão para vencer, mostrou-se confiante. Aos 71 anos, garantiu sentir-se como se tivesse 50 graças à sua condição física e à rotina de treino diária. Considerou que será um desafio difícil, mas acredita que Portugal pode alcançar o sucesso.
Em relação a Cristiano Ronaldo, revelou que ainda não falou com o capitão, mas garantiu que “Ronaldo nunca vai ser um problema para a Seleção”. Disse que pretende reunir individualmente com todos os jogadores e recordou que sempre teve uma boa relação profissional com o avançado, explicando que será importante perceber quais são os planos do jogador para o futuro.
Sobre uma eventual renovação da equipa, foi categórico: “É preciso uma remodelação na Seleção? Não!”. Defendeu que o grupo é jovem, com média de idades de 28 anos, e lembrou que apenas seis jogadores têm mais de 30 anos, dois deles guarda-redes. Acrescentou ainda que conhece bem o plantel, já que trabalhou anteriormente com 12 dos convocados para o último Mundial.
Questionado sobre a gestão dos estatutos e dos egos, garantiu que não terá dificuldades em tomar decisões, mesmo envolvendo os jogadores mais conceituados. Considerou que “é mais difícil trabalhar com os que pensam que são grandes jogadores do que com os que são mesmo bons” e reforçou que todos terão de contribuir para conquistar títulos.
Jorge Jesus também abordou a relação com Bernardo Silva, afastando qualquer polémica. Recordou que lançou o médio quando este tinha apenas 17 anos e explicou que a alegada intenção de o colocar a lateral esquerdo resultava de uma necessidade pontual provocada por uma lesão. Sublinhou que não existe qualquer problema entre ambos.
Quanto ao papel que desempenhará na Seleção, respondeu que continuará a ser treinador e não apenas selecionador. Lembrou que as seleções também treinam e frisou que os jogadores “não vêm para aqui dormir”. Destacou ainda a importância da preparação física, da recuperação e da constituição de uma equipa técnica e médica forte.
Questionado sobre a integração de jovens talentos como Rodrigo Mora ou Geovany Quenda, afirmou que a idade nunca será um critério decisivo. Disse que Portugal continua a produzir jogadores de enorme qualidade, chegando a afirmar que “Portugal é o Brasil da Europa”. Recordou ainda que lançou vários internacionais, como Rafael Leão, Bernardo Silva e João Cancelo, e garantiu que qualquer jovem com qualidade terá espaço na Seleção.
Na análise ao último Mundial, preferiu não comentar o trabalho do antecessor. Sobre Cristiano Ronaldo, recordou que, enquanto seu treinador, o utilizava sempre de acordo com as necessidades da equipa. Revelou ainda que já orientou “dois dos três melhores jogadores do mundo” e, referindo-se a Neymar, contou que lhe chegou a dizer apenas: “Finish”.
Relativamente à equipa técnica, explicou que será composta essencialmente por elementos da sua confiança. Admitiu nunca ter falado com Pepe sobre um eventual convite, mas reconheceu que seria um nome do seu agrado, à semelhança do que fez noutras equipas ao integrar antigos jogadores nas estruturas técnicas. Acrescentou, contudo, que alguns elementos da equipa técnica de Roberto Martínez poderão manter-se.
Por fim, ao falar sobre os adversários internacionais, salientou que “não é a mesma coisa defrontar a Espanha ou a Suíça”, deixando implícita a importância de adaptar a preparação e a abordagem competitiva ao nível de cada adversário.
"Para mim, o nome não conta.
Um dia virei-me para o Neymar e disse-lhe «tu finished».
Aquilo que eu achar que é o melhor para a Seleção é assim que será feito."Jorge Jesus, novo Selecionador de Portugal pic.twitter.com/QNuQGlsSs6
— O Fura-Redes (@OFuraRedes) July 10, 2026





