Imprensa italiana apontou os 5 principais problemas do AC Milan de Rúben Amorim

A derrota por 2-0 diante do Benfica, em pleno San Siro, deixou o AC Milan de Ruben Amorim debaixo de forte escrutínio em Itália. A imprensa transalpina analisou o momento dos rossoneri e identificou cinco grandes questões em torno da equipa, desde os problemas dentro de campo até às opções do treinador, passando pelo mercado de janeiro e pela gestão de Luka Modric.
A Gazzetta dello Sport é particularmente crítica em relação ao futebol apresentado pelo Milan e começa por considerar que, neste momento, praticamente nada funciona.
«Simplesmente: tudo. Ou melhor, nada está a funcionar. Neste momento, o problema grave é a ausência de algo concreto a que nos possamos agarrar para tentar recomeçar. Amorim terá de mobilizar todas as suas energias mentais e físicas como se fosse o primeiro dia, porque faltam as bases. O Milan, neste momento, não sabe atacar, não sabe defender e não tem coragem. A inércia dos jogadores, quando a bola está nos seus pés, é emblemática do medo de errar. E também de um jogo que, em comparação com há algumas semanas, já não existe. A equipa tornou-se incapaz de criar jogadas ofensivas, o avançado central vagueia à procura desesperada de uma bola jogável e a atitude agressiva, aquele domínio sob a forma de pressão exigido por Amorim, durou apenas o tempo de dois jogos».
O segundo ponto está relacionado com o próprio futuro de Ruben Amorim. Apesar do momento negativo, a publicação italiana garante que uma saída do português não está atualmente em cima da mesa. O contrato de longa duração, a aposta pessoal de Gerry Cardinale e o facto de a direção estar consciente das dificuldades inerentes à mudança de estilo ajudam a explicar essa posição.
«A resposta é categórica e não admite “se” nem “mas”: não, não corre riscos. Não neste momento. Por uma longa lista de motivos. Primeiro: é o treinador com quem a RedBird celebrou o contrato mais longo durante a sua gestão. O que, obviamente, não é garantia absoluta de permanência, mas insere-se no contexto de um projeto a longo prazo que seria contraproducente interromper após poucas semanas. Segundo: a direção já tinha previsto as dificuldades na transição de um estilo de futebol para outro diametralmente oposto. Terceiro: Cardinale empenhou-se pessoalmente, apoiando e defendendo publicamente Amorim ao longo do verão. Quarto: pensar numa demissão equivaleria a confirmar o fracasso da enésima tentativa de recomeço. Dito isto, é evidente que foi pedido ao treinador que acelerasse o ritmo nos resultados, para não comprometer a época já em setembro».
A terceira questão prende-se com uma eventual reação no mercado de janeiro. Apesar das dificuldades apresentadas pela equipa, não é considerada provável uma nova vaga de contratações, sobretudo devido ao investimento realizado durante o verão.
«Em geral, mais provavelmente não do que sim. Em parte porque a direção considera que já investiu o suficiente durante o verão, com contratações financeiramente significativas. E também porque a nova filosofia no mercado prevê agir apenas na presença de jogadores realmente úteis, realmente capazes de elevar o nível do plantel. Encontrar estes perfis no mercado de inverno é complexo, embora não impossível».
As escolhas de Amorim para o onze inicial constituem o quarto ponto em análise. A ideia do treinador passa por aproximar o nível de utilização dos diferentes elementos do plantel, dando grande importância ao rendimento apresentado durante os treinos e não ao estatuto individual de cada jogador.
A estratégia, contudo, tem sido questionada por poder retirar espaço a futebolistas que atravessam bons momentos. A partida frente ao Benfica é apontada precisamente como um exemplo de um encontro no qual o Milan deveria ter utilizado desde o início os jogadores considerados de maior qualidade.
«Basicamente, o Amorim tem uma visão muito “democrática” do plantel: o seu objetivo é tentar colocar todos mais ou menos ao mesmo nível. Outro objetivo é ter mais jogadores, para cada posição, capazes de executar o esquema tático. Dito isto, as suas escolhas para o onze inicial baseiam-se também muito no que observa ao longo dos treinos. Como já teve oportunidade de sublinhar, o “peso” dos nomes não lhe interessa. E, por fim, confia muito nas substituições em curso de jogo, como bem demonstram as segundas partes dos rossoneri. O problema é que, ao juntar todos estes fatores, o treinador acabou por penalizar jogadores em ascensão. Por exemplo, todos aqueles que entraram na segunda parte contra a Lazio. Além disso, há jogos em que se deveria alinhar a equipa com os jogadores de melhor qualidade, independentemente de todas as outras considerações. O jogo contra o Benfica foi um desses casos».
Por fim, a quinta questão está relacionada com Luka Modric e com a forma como Amorim está a gerir o veterano médio. A alteração do sistema do 3x5x2 para o 3x4x2x1 retirou alguma proteção ao croata e passou a exigir-lhe que percorra mais metros durante os encontros.
«As genuflexões são, sem dúvida, evitáveis, mas falar do Modric nos termos precipitados usados pelo Amorim parece um pouco injusto. Está bem que o coletivo se sobreponha ao indivíduo, está bem o “todos úteis, ninguém indispensável”, mas não se deve esquecer que o Luka voltou a escolher o Milan como um ato de fé e de afeto. Para ajudar na tentativa de voltar a ser grande: ele não se impôs a partir do pedestal da sua Bola de Ouro e do seu palmarés. De qualquer forma, a gestão do croata por parte do treinador terá de ser particularmente criteriosa: a mudança do 3-5-2 para o 3-4-2-1 tirou a Luka a proteção e atribuiu-lhe mais metros de campo para cobrir. Amorim já deixou claro que, em jogos baseados na corrida, isso será praticamente impossível para ele. Mas este Milan, desarmado e instável, sem mudanças drásticas, enfrentará sempre jogos baseados na corrida. O risco é ver o croata em campo apenas quando a posse de bola parecer um fator garantido».
Assim, apesar de Ruben Amorim continuar a contar com a confiança da estrutura do AC Milan, a derrota frente ao Benfica acentuou as dúvidas em torno do arranque de temporada. A falta de consistência ofensiva e defensiva, as opções no onze, a gestão de Modric e a pouca margem esperada para reforçar o plantel em janeiro são algumas das questões que o treinador português terá de enfrentar nas próximas semanas.





