Foi presidente do Lyon durante 36 anos e comentou a polémica saída de Paulo Fonseca

A saída de Paulo Fonseca do Lyon para assumir o comando técnico do Sporting continua a provocar reações em França. Desta vez, foi Jean-Michel Aulas, antigo presidente do emblema francês durante 36 anos, entre 1987 e 2023, quem manifestou o seu desagrado com a decisão dos responsáveis do clube.
Em declarações ao jornal francês L’Équipe, o atual presidente honorário do Lyon criticou a forma como a transferência do treinador português foi concretizada, considerando que a direção não deveria ter autorizado a sua saída, sobretudo numa altura em que a equipa atravessava um período positivo.
«Quando vejo hoje o treinador do Lyon, que está a ter um desempenho bastante razoável, a sair de um dia para o outro, e os presidentes e dirigentes do Lyon aceitam a sua saída por um punhado de figos ou cerejas, fico a pensar que as coisas mudaram mesmo. Quer dizer, hoje em dia tudo é possível no futebol. É algo que me incomoda, porque incomoda todos os adeptos que amam o seu clube. E é verdade que a saída não só muito rápida, mas diria sem justificação verdadeira por parte de Fonseca, levanta várias questões. Espero de todo o coração que isto não afete o espírito de equipa e a dinâmica que tinha sido criada pelo Olympique Lyonnais. Mas é verdade que, quando estamos verdadeiramente obrigados, conseguimos encontrar certas soluções», afirmou.
Outro dos aspetos que mereceu críticas por parte de Jean-Michel Aulas foi o valor de cinco milhões de euros que o Sporting terá desembolsado para garantir a contratação de Paulo Fonseca. O antigo dirigente considera que o Lyon poderia ter conseguido uma compensação financeira superior.
«Tenho a sensação de que nem sequer fomos até ao fim do interesse do OL a nível financeiro, porque se o Sporting precisasse mesmo dele, creio que os montantes teriam sido provavelmente superiores. Portanto, se calhar não sabemos tudo. Mas, dito isto, estou desiludido e realmente muito preocupado, porque não era o momento certo para o treinador, que estava a ter um desempenho bastante razoável naquele momento, ir embora. (…) Eu não o teria deixado sair. Não conheço os detalhes das questões financeiras, claro, mas bom, quando estamos praticamente nos três primeiros do campeonato de França e também potencialmente apurados para a Liga Europa, isso representa muito mais dinheiro do que os 5 milhões de que se fala. Como vos disse, não tenho certezas sobre os montante», acrescentou.
Jean-Michel Aulas foi ainda mais longe e alertou para as consequências que uma decisão desta natureza poderá ter no futuro, defendendo que os clubes devem assumir uma posição firme perante situações semelhantes.
«Em todo o caso, pessoalmente, teria tomado primeiro uma posição intransigente sobre o princípio de não aceitar este tipo de coisa, porque isto cria jurisprudência. Ou seja, se é possível um dia com um, pode sê-lo noutro dia com outro. Portanto, é isso, parece-me um pouco difícil deixar partir o treinador que está a ter sucesso no início da época de um clube que está apurado para as competições europeias e que luta pelos primeiros lugares no campeonato de França», concluiu.





