Erik Ten Hag voltou a criticar Cristiano Ronaldo “depois da Juventus, acabou”

Erik ten Hag voltou a fazer duras críticas a Cristiano Ronaldo, considerando que o internacional português deixou de apresentar o rendimento necessário para competir ao mais alto nível há vários anos. O antigo treinador do Manchester United, atualmente diretor do Twente, recordou os conflitos que marcaram a relação entre ambos em Old Trafford e apontou a passagem pela Juventus como o fim do melhor período da carreira do avançado.
Em entrevista à ESPN, o técnico neerlandês abordou novamente os acontecimentos de 2022, quando orientou Ronaldo durante alguns meses, defendendo que o português não conseguiu adaptar-se às necessidades coletivas da equipa.
«Todas as grandes equipas têm de acolher os grandes jogadores, mas o grande jogador também tem de dar espaço à equipa. Esse foi simplesmente o problema com Ronaldo», começou por afirmar.
Ten Hag reconheceu a dimensão histórica de Cristiano Ronaldo, mas considerou que o avançado já não consegue apresentar o nível exibicional que o tornou numa das maiores figuras do futebol mundial.
«Não haja qualquer mal-entendido da minha parte: é, naturalmente, um grande jogador. Está entre os maiores do mundo. Mas a realidade é que não tem conseguido corresponder nos últimos sete ou oito anos. Depois da Juventus, acabou», declarou.
O neerlandês foi ainda mais longe e elogiou a decisão do Real Madrid de vender Ronaldo em 2018, considerando que o clube espanhol soube identificar o momento certo para terminar a ligação ao jogador.
«Esse é também o grande mérito do Real Madrid. Percebem quando um jogador está a perder qualidade. Depois, separam-se dele num momento em que, para o exterior, ainda está no topo, mas, na realidade, já não consegue corresponder.»
A relação entre os dois no Manchester United também voltou a ser tema de conversa. Cristiano Ronaldo, então com 37 anos, apontou três golos em 16 encontros sob as ordens de Ten Hag, antes de deixar os red devils em novembro de 2022, na sequência da rescisão contratual.
Questionado sobre o ambiente vivido durante esse período, o treinador admitiu que existiram dificuldades.
«Não, foi um período muito curto. Existia tensão», reconheceu.
Segundo Ten Hag, o principal problema estava relacionado com a capacidade física do internacional português para acompanhar a intensidade exigida pelo futebol inglês.
«Não conseguia continuar a torturar-se. A dar tudo todos os dias. A ficar em forma. Se não estiveres em condições físicas na Premier League, não tens hipótese», explicou.
Apesar disso, o antigo treinador dos red devils admitiu que Ronaldo mantém uma capacidade de finalização acima da média, embora considere que as limitações físicas condicionam o seu rendimento.
«Ele ainda consegue finalizar oportunidades. Isso continua a ver-se. Mas se já não consegues chegar à área…», acrescentou.
Ten Hag revelou também como procurou explicar ao jogador os motivos das suas decisões técnicas, garantindo que utilizou argumentos sustentados em dados concretos.
«Colocas-lhe um espelho à frente e apresentas argumentos que fazem sentido. Depois, tudo fica muito claro», contou.
Quando confrontado com a possibilidade de Ronaldo ter reagido de forma agressiva às críticas, o neerlandês afastou essa hipótese.
«Não, não disse isso. As provas eram tão claras. Hoje em dia, no futebol, tudo fica documentado», esclareceu.
Apesar das divergências, Ten Hag fez questão de reconhecer a importância de Cristiano Ronaldo para a história da modalidade, destacando os títulos e os números alcançados pelo português ao longo da carreira.
«Ganhou cinco Ligas dos Campeões e marcou tantos golos. Deu tanto ao futebol. Todos desfrutámos de o ver jogar, eu incluído», sublinhou.
O treinador explicou ainda que, enquanto responsável técnico do Manchester United, tinha a obrigação de colocar os interesses coletivos acima das preferências individuais.
«Naquele momento, tinha de tomar decisões no interesse da equipa e do clube. No fim de contas, a escolha era dele: decidir se queria fazer esse investimento. Se não queria, tinha de tomar outras decisões em benefício do clube. E foi isso que vimos acontecer», afirmou.
Por fim, Ten Hag foi questionado sobre a dificuldade de deixar uma figura como Cristiano Ronaldo no banco de suplentes ou mesmo fora das convocatórias. Na resposta, o neerlandês incluiu também Lionel Messi, reforçando que nenhum futebolista pode estar acima da instituição que representa.
«Ninguém é maior do que um clube ou uma seleção. Nem Cristiano Ronaldo, nem Messi. No final, a equipa está sempre em primeiro lugar», concluiu.





