É juiz na Operação Lex e estava na lista VIP do Benfica

O juiz José Piedade, que preside ao julgamento da Operação Lex — onde Luís Filipe Vieira e Rui Rangel estão entre os arguidos — apareceu num ficheiro interno do Benfica com dados pessoais de magistrados que poderiam receber convites para assistir a jogos. A lista, intitulada “Juízes SLB”, foi divulgada em 2020 pelo blogue Mercado de Benfica, associado a Rui Pinto, e colocava Piedade na 35.ª posição.
O magistrado integra o coletivo que analisa suspeitas de vantagens indevidas, incluindo a alegada oferta de lugares de destaque na tribuna do clube a Rui Rangel, em troca de influência num processo fiscal.
Perante perguntas sobre convites recebidos do Benfica, José Piedade respondeu, por intermédio do Supremo Tribunal de Justiça, que apenas nos anos 90 recebeu um bilhete para um jogo, o qual não utilizou, assim como recusou integrar um órgão da Liga Portuguesa de Futebol. O juiz evitou também confirmar se a morada presente na lista correspondia à sua residência, justificando tratar-se de informação protegida.
No arranque do julgamento, em Lisboa, a defesa de Vieira pediu para consultar convites destinados às tribunas do FC Porto e do Sporting, pedido rejeitado por Piedade.
Os emails divulgados do clube mostraram ainda solicitações diferentes: em 2014, o juiz desembargador Pedro Mourão contactou Vieira sobre o interesse de juízes conselheiros do Supremo em jogar futebol num pavilhão do Benfica, proposta que avançou após obter luz verde do então presidente.





