Duarte Gomes quebrou o silêncio e revelou o principal motivo de ter renunciado ao cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da FPF

Duarte Gomes, que renunciou em junho ao cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da FPF, voltou a explicar a sua saída numa altura em que a Polícia Judiciária investiga suspeitas relacionadas com a nomeação de árbitros na I Liga.
O antigo árbitro começou por justificar a reserva sobre o processo: «Há momentos na vida em que não é de todo incapacidade em ser frontal, é respeitar os tempos próprios das instituições. E este é o momento de respeitar o silêncio, porque é um processo que está em curso e em que se pede alguma reserva. O que aconteceu foi que há um ponto em que não nos revemos com um conjunto de práticas, ideias, projetos e formas de estar. Quando esgotamos ao máximo a tentativa de reverter a situação, então temos um caminho, o caminho da saída, e foi tomado em consciência».
Duarte Gomes revelou depois que abandonou o cargo devido a uma profunda quebra de confiança e que saiu na posse de elementos que considera provas de ilegalidades: «Saí por uma quebra de confiança institucional profundíssima. Ouvi um conjunto de situações que, com comprovação factual e probatória, eu fiz um conjunto de diligências no sentido de ficar tranquilo e esclarecido em relação às coisas que aconteceram, que eu considerei de grande gravidade institucional, sem qualificar institucional. Depois desse conjunto de diligências, não só não recuperei a tranquilidade, como aprofundei as minhas dúvidas e receios. E perante isso, tomei a decisão de sair com provas, com elementos probatórios que, para mim, foram mais do que suficientes, de ilegalidades, de condutas com as quais não me revejo. E, se são ilegais, pode ser que a justiça o prove».
Por fim, garantiu estar tranquilo com a decisão e admitiu que poderá surgir uma «tempestade» no futebol português: «Tem a ver com aquilo que nós qualificamos como grave. Para mim foi grave sobre um ponto de vista que é absolutamente estrutural, que é a dos princípios. E, portanto, eu respondo pelos meus princípios, como cada um responderá pelos seus. Aceito perfeitamente que os limites de consciência de cada pessoa estejam fixados, onde cada pessoa entenda fixá-los. Os meus são os meus e sobre eles sei eu. E, portanto, sempre fui uma pessoa razoável, atenção, conciliadora, consensual e política. Não gosto de extremismos, não gosto de falta de moderação e, portanto, demasiado românticas e demasiado baseadas em valores. E, portanto, vivemos num mundo em que não há santos, em que as coisas têm flexibilidade, cedência, jogos políticos e depois há um ponto em que se ultrapassa tudo isso e se entra numa esfera que colide com aquela que é a nossa. E nós temos duas formas de estar nesse momento. Olhamos para o lado, fazemos de conta que não vimos porque não fizemos nada ou recusamos ser cúmplices de situações que não concordamos. Eu escolhi a segunda e durmo muitíssimo bem com isso. Se vier uma tempestade e se era uma tempestade inevitável que vai evitar muitas confusões para o futuro, que venha já. Agora, que seja justa, que não faça juízos em hasta pública de pessoas que são inocentes de algumas de algumas situações, que não faça processos de difamação sobre pessoas que também têm família e nome para defender».
Duarte Gomes explicou as razões que o levaram a abandonar as funções que desempenhava de diretor técnico, falando numa “quebra de confiança institucional profundíssima” e revelando ter ficado na posse de elementos que considera suficientes relativamente a “ilegalidades” e a… pic.twitter.com/DTrQ54ARIa
— Cabine Desportiva (@CabineSport) September 16, 2026





