Diretor do Lyon quebrou o silêncio sobre a saída de Paulo Fonseca “quando veio ter comigo…”

A saída de Paulo Fonseca do Lyon para assumir o comando técnico do Sporting apanhou a direção do emblema francês completamente desprevenida. Matthieu Louis-Jean, diretor desportivo do clube, revelou que o treinador português comunicou a intenção de abandonar a equipa na passada quinta-feira, 29 de outubro, apenas um dia antes da vitória dos leões frente ao Casa Pia (2-0).
Em declarações aos meios oficiais do Lyon, o dirigente admitiu que a decisão do técnico, que estava no clube desde janeiro de 2025, provocou uma enorme surpresa.
“Quando o Paulo veio ter comigo para anunciar que queria deixar o Lyon, foi um choque e uma surpresa”, confessou, esclarecendo depois que a conversa aconteceu “na quinta-feira passada”.
Louis-Jean explicou que a intenção inicial da direção passava por manter Paulo Fonseca até ao final da temporada, uma vez que o plantel tinha sido preparado para disputar as três competições sob a orientação do treinador português.
“Tentei compreender as razões porque queríamos terminar a época com o Paulo. Construímos um plantel e uma equipa para esta época e nas três competições, por isso era importante continuar com o nosso treinador. Ele explicou-me os seus argumentos, que ouvi. Para nós, estava fora de questão terminar com o treinador a meio da época, claro, porque estávamos também num momento importante da época mas ele tinha argumentos. Queria absolutamente partir para um clube que lhe dizia muito, o seu clube de coração, como ele costuma dizer”, explicou.
Perante a determinação de Paulo Fonseca em regressar a Portugal para orientar o Sporting, o Lyon acabou por aceitar negociar a saída, procurando garantir uma compensação financeira adequada. O acordo prevê que os leões paguem cinco milhões de euros ao clube francês.
“Quando decidimos deixá-lo sair, claro que era preciso defender os interesses do clube, tanto a nível desportivo como económico. Começámos a trocar impressões com o Sporting e, claro, também era preciso que economicamente nos compensasse, o que conseguimos fazer”, acrescentou.
O responsável revelou ainda que o Lyon já estava a negociar a renovação do contrato de Paulo Fonseca, válido até junho de 2027, demonstrando que existia um projeto de continuidade com o treinador.
“Era impossível retê-lo, pelo que ouvimos. Mais uma vez, era complicado manter um treinador que não queria ficar. Compreendi o que ele quis dizer com ‘juntar-se ao seu clube de coração’. Tivemos de tomar decisões, decisões duras. Honestamente, não é simples deixar sair o treinador a meio da época. Já há algum tempo que estava a discutir a renovação, quer com o Paulo, quer com o seu representante. Portanto, havia de facto uma projeção a longo prazo, sim, claro. Discutimos, claro que havia condições porque conhecem a situação do clube”, afirmou.
A decisão obrigou o emblema francês a alterar os planos numa fase importante da temporada, algo que deixou a estrutura particularmente desiludida.
“Agora, surgiu esta situação que apareceu do nada. Portanto, claro que estamos muito desapontados por ver o Paulo partir, mas era preciso tomar uma decisão, reagir rapidamente, e foi o que fizemos”, lamentou.
Enquanto não é encontrado um substituto definitivo, George Masiell ficará responsável pela equipa de forma interina nos encontros diante da Real Sociedad e do Brest. A chegada do próximo treinador está prevista apenas para a pausa destinada aos compromissos das seleções.
Apesar da mudança no comando técnico, Matthieu Louis-Jean garantiu que o Lyon pretende preservar a identidade e o modelo de jogo desenvolvidos durante a passagem de Paulo Fonseca.
“Não vamos começar do zero. Construímos uma equipa em conjunto com o Paulo, mas não é de todo a equipa do Paulo, é a equipa do Lyon que queríamos, com um estado de espírito, um ADN, um projeto de jogo específico para os jogadores que recrutámos. E, precisamente, este treinador terá de se integrar nisso”, sublinhou.
Questionado sobre a possibilidade de o futuro treinador apresentar ideias semelhantes às do português, o diretor desportivo confirmou que essa será uma das prioridades na escolha do sucessor.
“Sim, será bastante semelhante, bastante próximo. Agora, claro que ele também terá o seu cunho, as suas ideias para trazer, porque queremos, evidentemente, ser sempre melhores”, concluiu.





