Chegou a ser apontado como o próximo Pelé e agora diz que se arrepende de ter jogado no Benfica

Freddy Adu, antigo prodígio do futebol norte-americano que se estreou na MLS com apenas 14 anos, recorda a carreira marcada por enorme expectativa e admite hoje arrepender-se da decisão de se transferir para o Benfica, considerando que essa escolha acabou por desencadear uma “reação em cadeia” de empréstimos. Ainda assim, guarda boas memórias do primeiro contacto com os adeptos encarnados.
O jogador tornou-se rapidamente uma sensação quando apareceu no D.C. United, entrando para a história como o mais jovem atleta a assinar contrato profissional numa das principais ligas desportivas dos Estados Unidos. O talento precoce valeu-lhe a alcunha de “próximo Pelé” e projetou-o como a grande promessa capaz de transformar o futebol no país.
A transferência para o Benfica aconteceu no verão de 2008, quando chegou proveniente do Real Salt Lake por 1,5 milhões de euros. A dimensão da receção em Lisboa surpreendeu-o. «Não fazia ideia do que me esperava. O aeroporto estava simplesmente lotado de adeptos do Benfica, e foi a primeira vez que vivi algo assim», contou em entrevista ao Mirror US Sports. O cenário deixou-o impressionado: «Não conseguia atravessar! E eu pensei, ‘uau!’ Fiquei surpreendido. Eles abraçaram-me mesmo. Foi uma experiência muito fixe para mim, estavam a cantar, estavam muito felizes e tudo isso. Foi mesmo, mesmo muito fixe.»
Apesar dessa receção calorosa, Adu considera hoje que a ida para a Luz acabou por prejudicar o seu percurso. «Sabendo o que sei hoje, não tomaria essas decisões, porque isso deu início a toda uma reação em cadeia», reconheceu. O norte-americano defende que a falta de continuidade afetou o seu crescimento. «Como jogador jovem, precisas de jogar e de experiência. Por isso, decisões como essa, eu provavelmente tomaria de forma diferente.» Durante a passagem pelo Benfica foi emprestado ao Mónaco, Belenenses, Aris (Grécia) e Rizespor (Turquia), antes de regressar aos Estados Unidos em 2011 para representar o Philadelphia Union.
Mais de 20 anos depois da estreia como profissional, Adu lembra também o peso das expectativas que carregou desde muito cedo. «Foi muito emocionante», afirmou, reconhecendo, contudo, o impacto da pressão mediática. «Mas estaria a mentir se não dissesse que também havia muita pressão… Eu sabia que todas aquelas pessoas vinham porque tinham ouvido falar deste miúdo, tinham ouvido falar de Freddy Adu, este jovem de 14 anos que era suposto ser um fenómeno…»
O antigo internacional norte-americano recorda ainda que demorou algum tempo a adaptar-se a esse contexto. «Havia tanta expectativa e a MLS queria promover a liga e tudo o mais, que demorei algum tempo a habituar-me e a concentrar-me apenas em jogar, para ser sincero.» E concluiu: «Eu era tão ingénuo que pensava: ‘Ok, vamos a isto’. Naquela altura, tinha 14 ou 15 anos, e o que é que eu ia dizer? Não ia dizer que não!»





