António Silva voltou a falar da saída do Benfica e fez uma revelação “no fim de contas…”

António Silva, defesa-central português que trocou o Benfica pelo Bournemouth no último mercado de verão, abordou a adaptação ao futebol inglês, os motivos que o levaram a deixar a Luz e as ambições para o futuro. Numa entrevista ao ‘Transfermarkt’, o internacional português, de 22 anos, destacou a importância de Tiago Pinto e Marco Rose na decisão de abraçar o primeiro desafio no estrangeiro, após 11 anos ligado aos encarnados.
O jogador natural de Penalva do Castelo explicou que a mudança para a Premier League esteve sobretudo relacionada com o projeto desportivo apresentado pelo Bournemouth, elogiando o trabalho desenvolvido pelo clube na valorização de jovens futebolistas.
“Acho que o Bournemouth tem um projeto muito bom e o Tiago deu-me conta disso mesmo antes de eu vir. Acho que o treinador também se encaixa muito bem no projeto, porque gosta de desenvolver jogadores jovens. Basta olharmos para algumas transferências do Bournemouth nos últimos anos, para a forma como jogam e para a forma como também vendem jogadores, para ver que se estão a sair muito bem. Foi fácil escolher”, começou por explicar.
Questionado sobre a influência das transferências de Dean Huijsen para o Real Madrid, Ilya Zabarnyi para o PSG e Milos Kerkez para o Liverpool, António Silva esclareceu que a possibilidade de utilizar o Bournemouth como plataforma para chegar a um clube de maior dimensão não foi determinante na sua escolha.
“Para ser sincero, não. Joguei durante anos no Benfica, que também é um bom clube para se ser vendido a grandes equipas. Por isso, estava apenas à procura de um bom projeto. O Tiago Pinto teve um papel importante nisso. No futuro, já veremos. Quero dar o meu melhor este ano e depois veremos”, afirmou.
Apesar do entusiasmo com a nova etapa, o antigo jogador das águias reconheceu que abandonar Portugal não foi uma decisão simples, sobretudo pela ligação que mantém a Lisboa.
“Para mim, Lisboa é a minha casa. Por isso, foi difícil mudar-me para o estrangeiro. Mas estou aqui para jogar na Premier League, por isso vou fazer de tudo para jogar nesta liga. As pessoas do Bournemouth têm sido muito simpáticas comigo, receberam-me muito bem. Por isso, já estou bastante habituado à cidade e só quero jogar futebol”, garantiu.
Sobre as diferenças entre o campeonato português e a Premier League, António Silva apontou a intensidade dos encontros e a exigência física como os principais desafios. O defesa mostrou-se satisfeito com o rendimento individual, embora tenha lamentado a situação coletiva do Bournemouth, que ocupa o 17.º lugar da classificação.
“Acho que, no fim de contas, tem a ver com a intensidade e os duelos. É como se jogássemos a Liga dos Campeões todos os fins de semana. Acho que estou a ir muito bem, mas só quero que a equipa tenha sucesso. Até agora, merecíamos mais, mas temos de o mostrar em campo”, considerou.
A experiência em Inglaterra também já lhe permitiu enfrentar alguns dos avançados mais temidos do futebol mundial. Entre todos os adversários que encontrou, o português destacou Erling Haaland, do Manchester City, como o mais complicado de travar.
“Erling Haaland. Nunca tinha jogado contra ele. Foi a minha primeira vez contra o City, no meu primeiro jogo pelo Bournemouth. Ele é muito forte, muito rápido e tem faro de golo, por isso, sim, foi uma boa experiência lutar com ele, jogar contra ele, e é por isso que estou aqui: para jogar contra os melhores avançados do mundo”, explicou.
No balneário do Bournemouth, António Silva mostrou-se particularmente impressionado com Alex Scott, médio internacional inglês que colocou ao nível de dois antigos companheiros no Benfica: João Neves e Enzo Fernández.
“Já sabia que ele era um jogador muito bom. Já joguei com alguns bons médios no Benfica, como o João Neves e o Enzo Fernández, e acho que ele está ao nível deles. Tem capacidade para atacar, para defender, para ganhar duelos, para dar assistências”, elogiou.
A conversa passou também pela Seleção Nacional. Depois de ter ficado de fora da primeira convocatória de Jorge Jesus, o defesa-central admitiu que gostaria de ter integrado os escolhidos do selecionador português, mas acredita que as exibições no Bournemouth poderão abrir-lhe novamente as portas da equipa das quinas.
“Claro que gostaria de ter ido. Sei que se der o meu melhor aqui, se jogar bem aqui, estarei mais perto de ir para à Seleção. Por isso, espero estar presente na próxima convocatória. Vou tentar dar o meu melhor e depois veremos”, declarou.
Ainda a propósito da Seleção, António Silva deixou rasgados elogios a Cristiano Ronaldo, recordando a experiência de partilhar o balneário com o capitão português.
“Não estive no último estágio, mas os que estive com ele foram muito bons. Cresci a vê-lo a jogar no Real Madrid e, depois, estar com ele o dia todo nos treinos foi uma experiência mesmo boa. Para mim, ele é o melhor de sempre, é uma das pessoas mais influentes do mundo e, para Portugal, é uma figura enorme”, sublinhou.
Por fim, o internacional português abordou a experiência de liderança adquirida durante a passagem pelo Benfica. Apesar de ter apenas 22 anos, António Silva recordou que chegou a assumir a braçadeira de capitão dos encarnados e que pretende transmitir essa experiência aos novos companheiros.
“Estou a tentar passar essa experiência aos meus colegas. Tenho 22 anos, mas já joguei muitos jogos. Fui capitão no Benfica em alguns jogos. Lembro-me que o Roger Schmidt me colocou como terceiro capitão logo no meu segundo ano no Benfica, por isso estou habituado a ser um líder e a ser o capitão. Acho que me encaixo muito bem como capitão e líder”, concluiu.





