Antigo colega de Cristiano Ronaldo fez revelações chocantes sobre o futebol na Arábia Saudita

Aymeric Laporte abriu o livro sobre vários momentos da carreira, desde a passagem pelo Al Nassr até à decisão de trocar a seleção francesa pela espanhola. O defesa-central do Athletic Bilbao falou no podcast ‘El Camino de Mario’, conduzido pelo antigo jogador do Atlético Madrid Mario Suárez.
Um dos temas abordados foi a experiência na Arábia Saudita. Laporte chegou ao Al Nassr em 2023, depois de perder espaço no Manchester City, e explicou por que motivo aceitou a mudança.
“Estava com menos minutos [no Man. City] e uma transferência na Europa teria sido difícil. Na minha cabeça só estava o regresso ao Athletic Bilbao, mas o clube não tinha capacidade para pagar uma transferência como a que o Man. City pedia. O único que podia oferecê-la era o Al Nassr e aproveitei a oportunidade. Tinham contratado o Cristiano, o Mané e pensei: ‘Porque não experimentar um par de anos?'”, afirmou.
Apesar de reconhecer aspetos positivos na experiência, o internacional espanhol destacou as dificuldades provocadas pelo trânsito e pelas longas deslocações.
“A experiência na Arábia Saudita pode ser boa se fores caseiro. Há bastante trânsito. Demorava entre 45 minutos e 1 hora e quarto para ir treinar e, se quisesses sair de casa, era mais uma hora. Passavas cinco horas por dia no carro. Isso dificultava a deslocação com a família. Há pontos muito bons e muito maus”, explicou.
Laporte, que regressou ao Athletic Bilbao em 2025, falou também sobre a exposição mediática que teve durante os cinco anos em que representou o Manchester City, considerando que Real Madrid e Barcelona oferecem aos jogadores outro impacto a esse nível.
“O Barcelona e o Real Madrid são as equipas com mais marketing do mundo do futebol. Qualquer jogador que contratem sobe de nível em termos de marketing. São factos e não se pode discutir. Se tivesse ido, com certeza teria outro marketing”, atirou.
Outro dos assuntos abordados foi a opção de representar Espanha. Natural de Agen, em França, Laporte naturalizou-se espanhol a 11 de maio de 2021 e tornou-se uma presença habitual na seleção, conquistando posteriormente o Europeu de 2024 e o Mundial de 2026.
“Ganhar o Mundial, a Liga das Nações e o Euro… se não fosse assim, sentiria o mesmo orgulho. A minha mulher, a minha família e os meus filhos são daqui. Sinto-me identificado com Espanha”, começou por explicar.
O central revelou que a possibilidade de representar a seleção espanhola já tinha sido discutida anteriormente, mas só mais tarde acabou por se concretizar.
“Foi um processo longo porque houve uma primeira tentativa um ano e meio ou dois antes que acabou por não dar em nada por muitos motivos. Depois, começámos a falar e eles queriam contar comigo. Concordámos que era uma oportunidade única que não se devia deixar passar”, acrescentou.
Apesar da mudança, Laporte não esconde a ligação ao país onde nasceu. Ainda assim, explicou que a falta de oportunidades na seleção francesa acabou por ter um peso importante na decisão.
“Nasci em Agen e vivi lá até aos 15 anos. Mudei-me para Bilbau. Toda a minha família é francesa e em França sente-se muito a pátria, e amei França como o primeiro país, mas quando acontecem situações como a minha com França, isso convida-te a sair desse pensamento. O Athletic acolheu-me e onde mais evoluí foi aqui. O selecionador francês não contava comigo para nada e tomei a decisão de mudar”, destacou.





