André Villas-Boas voltou a falar sobre o Benfica e trouxe um tema sensível que levou a muitas criticas dos adeptos encarnados

André Villas-Boas voltou a lançar duras críticas ao Benfica e ao Sporting, através do editorial publicado na edição de outubro da revista Dragões. O presidente do FC Porto abordou várias polémicas recentes do futebol português, incluindo a arbitragem, o clássico frente aos encarnados, as declarações de Frederico Varandas e a atuação dos responsáveis do setor da arbitragem.
Um dos principais alvos do dirigente portista foi o Benfica, sobretudo devido às críticas relacionadas com o lance entre Samu e Bah, no clássico disputado no Estádio do Dragão, que terminou com uma vitória dos azuis e brancos por 3-1.
Villas-Boas considerou exagerada a interpretação do episódio e acusou os críticos do FC Porto de utilizarem critérios diferentes consoante os clubes envolvidos.
“É precisamente essa exigência interna que parece levar ao desespero os comentadores afetos ao “Manto Marrom”. No clássico com o Benfica, o contacto de Samu nas costas de Bah foi promovido a ‘agressão bárbara’, com direito a uma reconstrução dramática digna de cinema. Curiosamente, na época passada, quando um toque de um dedo bastou para desequilibrar Hjulmand e sustentar uma decisão favorável ao Sporting, a sensibilidade dos mesmos vigilantes foi muito diferente. A força dos contactos mede-se pela camisola e a indignação, pelo resultado. Uma absoluta anedota, construída por quem não consegue aceitar a vitória do FC Porto sem procurar uma explicação que a diminua, seja qual for a imagem ou o ângulo. Quando o futebol lhes estraga o guião, há sempre um estúdio disponível para o reescrever”, escreveu.
O presidente dos dragões prosseguiu com críticas à comunicação do Benfica, recordando os anos em que o clube encarnado transmitiu os seus encontros através da BTV. Villas-Boas questionou ainda a insistência dos responsáveis e comentadores ligados às águias na análise de imagens e ângulos televisivos.
“É também enternecedor assistir à súbita paixão do Benfica por lances, imagens, ângulos e análises, depois de mais de uma década a transmitir os seus jogos na BTV. Tanta exigência de transparência merecia começar em casa: que os lances incómodos tenham a mesma atenção, os mesmos ângulos e o mesmo entusiasmo nas repetições que aqueles que servem a narrativa. Ou a liberdade de realização é um direito adquirido na Luz e uma conspiração quando ganha o FC Porto? Estamos também a adorar a evolução desta comunicação de guerrilha: entre o reformista Grupo Unum e aquilo a que poderíamos chamar APEC, a Associação de Putativos ou Ex-Candidatos, vão-se multiplicando as mais hilariantes teses sobre o nosso Clube. Discordam sobre quem deve mandar no Benfica, mas encontram uma comovente unidade quando se trata de explicar os sucessos do FC Porto por tudo menos pelo seu mérito. Se as imagens não confirmam a suspeita, exigem-se outros ângulos; se os outros ângulos também não ajudam, questiona-se a realização. A conclusão está escolhida; só falta encontrar uma imagem que lhe obedeça. Valham-nos os ovos Matinados para nos trazer de volta à realidade, porque tanta teoria já só dá para uma omeleta”, acrescentou.
As críticas estenderam-se também ao Sporting e, particularmente, a Frederico Varandas. Villas-Boas acusou o presidente leonino de adotar uma postura de superioridade moral, ignorando episódios controversos do passado do clube. Questionou igualmente a sua intervenção em assuntos políticos e fez referência ao aumento da remuneração do dirigente.
Outro dos temas abordados foi o golo do FC Porto na Madeira, cuja legalidade gerou discussão. Villas-Boas defendeu que o lance foi corretamente validado e ironizou com as suspeitas levantadas sobre a decisão.
O dirigente portista aproveitou ainda para voltar a defender a introdução do fora de jogo semiautomático e da tecnologia de linha de golo no futebol português, considerando que o processo de modernização já deveria estar mais avançado.
No capítulo da arbitragem, criticou a validação da atuação de João Pinheiro e do VAR no encontro entre o SC Braga e o Sporting, contestando a ausência de uma grande penalidade favorável aos bracarenses.
Villas-Boas reiterou também a posição do FC Porto relativamente ao presidente do Conselho de Arbitragem, defendendo a sua suspensão temporária de funções e acusando os responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de não tomarem medidas para resolver o clima de instabilidade.
O editorial incluiu ainda uma reação às comparações feitas por comentadores televisivos entre o presidente portista e figuras como Pinochet e Fidel Castro. Villas-Boas considerou essas intervenções ofensivas e revelou que deram origem a participações à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Apesar do tom crítico dirigido aos rivais e às instituições, o presidente do FC Porto também destacou o percurso desportivo da equipa orientada por Francesco Farioli, que soma nove vitórias nas primeiras nove jornadas do campeonato.
O responsável máximo dos dragões elogiou o trabalho do treinador italiano, mas reconheceu que os resultados na Liga dos Campeões estão aquém das expectativas, exigindo uma resposta mais convincente nas competições europeias.
Villas-Boas recordou ainda a gala dos Dragões de Ouro, os sucessos das modalidades e a homenagem prestada a Jorge Costa, sublinhando a importância de preservar a identidade e a história do clube.
Na parte final do editorial, deixou uma mensagem de união aos adeptos portistas, garantindo que continuará a defender os interesses do FC Porto perante aquilo que considera ataques externos, sem perder de vista os objetivos desportivos da temporada.





