Sérgio Conceição obrigado a justificar-se após uma declaração considerada infeliz sobre a Arábia Saudita

Sérgio Conceição recorreu, esta segunda-feira, às redes sociais para esclarecer a polémica provocada pelas declarações que prestou sobre o futebol da Arábia Saudita, durante uma entrevista ao podcast ‘La Tripletta’, do jornal italiano Gazzetta dello Sport.
O antigo treinador do FC Porto considera que as suas palavras foram interpretadas de forma errada e garante que nunca pretendeu desrespeitar os jogadores sauditas ou o país onde trabalhou durante a última temporada.
“Durante a minha entrevista ao pocast ‘La Tripletta’, da Gazzetta dello Sport, eu respondi a questões sobre a minha experiência na Arábia Saudita. Infelizmente, as minhas palavras foram mal interpretadas como críticas ao futebol saudita. Eu gostaria de deixar claro que nunca tive a intenção de demonstrar qualquer desrespeito para com os jogadores sauditas, muito menos para com a própria Arábia Saudita, um país que me acolheu e à minha família, e pelo qual tenho grande estima e respeito, tal como também enfatizei, durante a entrevista”, começou por esclarecer o técnico português, através do Instagram.
A polémica surgiu depois de Sérgio Conceição ter abordado as dificuldades que encontrou enquanto treinador do Al-Ittihad Jeddah, sobretudo no que diz respeito à mentalidade e aos hábitos de trabalho dos futebolistas locais.
Na entrevista, o técnico de 51 anos afirmou que “os jogadores locais não são exigentes”, explicando de seguida: “Não o fazem nem por serem maus, nem por não quererem. É simplesmente uma questão de cultura. Não existe uma verdadeira cultura de exigência, de trabalho e de compromisso”.
Sérgio Conceição foi ainda mais longe ao descrever algumas das situações com que se deparou durante a passagem pelo campeonato saudita.
“Eles não têm essa mentalidade, e isso é difícil de gerir. Por vezes, certos jogadores não acompanham o ritmo, ou nem sequer aparecem nos treinos O futebol ainda não é considerado uma verdadeira profissão (…). Encontram sempre uma desculpa: um familiar que não está bem, ou a religião, com uma oração para fazer às 5h da manhã…”, declarou.
“Se marcarmos uma sessão de treino a essa hora, alguns simplesmente não aparecem. Para mim, com a minha forma de ver as coisas, tudo isto é muito difícil de gerir. Realmente muito difícil. Esta experiência ensinou-me imenso”, acrescentou.
Perante a repercussão destas afirmações, o treinador decidiu esclarecer que não estava a colocar em causa a qualidade dos jogadores sauditas, mas apenas a destacar as diferenças culturais entre o futebol europeu e o da Arábia Saudita.
“Eu nunca questionei a qualidades dos jogadores sauditas, nem nunca disse que os jogadores sauditas são ‘maus’. A minha intenção era destacar as diferenças na maneira como o futebol é vivido e a abordagem de ser um futebolista na Arábia Saudita e da Europa. Estas são diferenças significativas, e eu expliquei o quão desafiante foi adaptar-me a certos aspetos deste ambiente, dada a minha própria perceção do papel de um treinador”, explicou.
O antigo internacional português terminou o comunicado com uma mensagem de reconhecimento pela experiência vivida no Médio Oriente.
“Ao mesmo tempo, foi uma experiência importante, que me deu a oportunidade de aprender e desenvolver uma perspetiva diferente, e também a maneira como entende os atletas e a sua abordagem ao futebol. Obrigado, Sérgio Conceição”, concluiu.
Recorde-se que Sérgio Conceição assumiu o comando técnico do Al-Ittihad Jeddah há cerca de um ano, sucedendo ao francês Laurent Blanc. A ligação terminou em junho, depois de 42 encontros oficiais, nos quais somou 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas.






