Foi 5 vezes campeão pelo FC Porto e agora trabalha na reciclagem e na venda de ferro “a vida segue…”

José Carlos, antigo defesa-central do FC Porto, trocou definitivamente o futebol por uma atividade bem diferente. Aos 61 anos, o brasileiro vive no Rio de Janeiro, onde trabalha na reciclagem, no corte e na comercialização de ferro e aço.
Durante os sete anos em que representou os dragões, conquistou cinco campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal e três Supertaças. Além dos títulos, destacou-se pela capacidade goleadora, tendo apontado 25 golos em 101 encontros, números que fizeram dele, durante vários anos, o defesa mais goleador da história do clube, antes de ser ultrapassado por Alex Telles e Iván Marcano.
Questionado sobre o segredo para marcar tantos golos, José Carlos explicou que a eficácia nas bolas paradas foi determinante.
«Eu batia muito bem as faltas e aproveitei isso para fazer muitos golos, além do jogo aéreo, onde tinha facilidade. No Gil Vicente também fiz muitos golos de grande penalidade. Fiquei feliz por outros atletas do FC Porto terem passado essa marca, sinal de que estão a evoluir, mas também não escondo que fiquei um pouco triste por ter deixado de ser o central mais goleador. [risos] Mas hoje em dia acho que é muito mais fácil fazer golos do que antigamente. Antigamente, nós, centrais, só subíamos à área nos pontapés de canto. Hoje em dia, todas as jogadas são treinadas, nas faltas toda a gente sobe. Veja-se o Arsenal, que é um portento nas bolas paradas. Mesmo o FC Porto… No meu tempo, isso treinava-se pouco. A modernização do futebol tem sido benéfica para que os defensores possam fazer mais golos.»
Apesar da forte ligação ao FC Porto, o antigo futebolista admitiu que atualmente acompanha muito pouco a modalidade. Ainda assim, quando desafiado a identificar um jogador do atual plantel com características semelhantes às suas, destacou Jan Bednarek.
«Uma pergunta difícil… Sabe, eu tenho acompanhado muito pouco futebol. Há uns seis anos parei completamente de trabalhar no futebol e, hoje em dia, estou num ramo totalmente diferente. Mas sei que há um central bom, titular na seleção dele. O Bednarek! Tem tido grandes desempenhos, tanto no FC Porto, como na seleção [da Polónia]. Gosto muito, parece-me ser um bom líder. Gostava muito do Otávio, também, cheguei a cruzar-me com ele quando ele estava na base do Flamengo. Tinha personalidade, gostava de assumir e jogava bem. Ainda está no FC Porto?»
Ao saber que Otávio tinha sido transferido para o Paris FC, no último verão, por 17 milhões de euros, José Carlos mostrou-se surpreendido com o valor do negócio.
«Sim, o outro clube de Paris… Eu gostava bastante dele, vi-o progredir bem no FC Porto, pelo menos numa fase inicial. 17 milhões de euros na venda? Puxa, foi um bom negócio…»
Quanto à vida depois do futebol, o antigo central revelou que deixou de trabalhar na modalidade há cerca de seis anos e que encontrou uma nova ocupação no setor da reciclagem de metais.
«Eu sou goiano, mas vivo no Rio de Janeiro desde que voltei de Portugal. Estou a trabalhar com reciclagem e sucata. É um ramo totalmente diferente, nada a ver com futebol. Neste momento, estou a falar consigo enquanto corto comboios velhos abandonados. Trabalho no corte e venda de aço e ferro. A vida segue…»






