Italianos apontam os quatro problemas de Ruben Amorim no AC Milan

Ruben Amorim está novamente debaixo de pressão em Itália, depois de o AC Milan ter empatado a uma bola frente ao Sassuolo, no domingo. Apesar de continuar invicto na Serie A, o conjunto rossonero perdeu terreno para o Inter, que lidera agora o campeonato com quatro pontos de vantagem.
A exibição dos milaneses voltou a levantar dúvidas e levou a imprensa italiana a analisar as dificuldades da equipa orientada pelo treinador português. Esta segunda-feira, a Gazzetta dello Sport publicou uma análise intitulada “Milan não convence”, na qual identificou quatro problemas que Amorim terá de resolver.
Um dos principais motivos de preocupação está relacionado com a postura da equipa depois de chegar à vantagem. Frente ao Sassuolo, o Milan recuou no terreno após marcar, permitindo que o adversário ganhasse espaço e acabasse por chegar ao empate.
O jornal italiano recordou as palavras de Ruben Amorim, que reconheceu que a equipa “não se pode dar ao luxo de sofrer um golo vindo de um pontapé de canto”.
Mesmo com Luka Modric em campo, os rossoneri não conseguiram controlar o encontro através da posse de bola. A publicação destacou os “problemas de concentração” e as “dificuldades para ler o jogo” demonstrados pelos jogadores nos momentos em que era necessário gerir a vantagem.
Outra fragilidade apontada prende-se com a falta de experiência de parte do plantel. Embora Amorim tenha à disposição futebolistas habituados aos grandes palcos, como Modric e Adrien Rabiot, conta também com vários elementos jovens e outros que ainda estão a adaptar-se ao futebol italiano.
Cissé e Hutchinson surgem entre os exemplos de jogadores mais jovens, enquanto Gonçalo Ramos, Diego Moreira e Estupiñán integram o grupo de futebolistas com pouca experiência na Serie A.
Na perspetiva da Gazzetta dello Sport, esta combinação poderá dificultar a capacidade coletiva do Milan para responder aos momentos de maior pressão durante os encontros.
A reduzida produção ofensiva constitui o terceiro problema identificado. Apesar de conseguir períodos de posse de bola e de apresentar bons índices de eficácia, a equipa de Ruben Amorim revela dificuldades em criar oportunidades de finalização.
Antes do início da sexta jornada do campeonato italiano, o Milan ocupava apenas o 13.º lugar entre as equipas com mais remates, sendo mesmo o conjunto que menos finalizava de fora da grande área.
Neste capítulo, Gonçalo Ramos mereceu particular atenção. O avançado português tem sido importante na pressão sobre os adversários, mas recebe poucas oportunidades para finalizar.
“Gonçalo Ramos parece muitas vezes demasiado isolado. Movimenta-se bastante, mas tem poucas oportunidades na área, enquanto Pulisic só deu nas vistas com o passe em profundidade para Chukwueze, já na reta final do jogo”, escreveu o jornal italiano.
Por último, a Gazzetta dello Sport considera que o AC Milan ainda procura uma identidade de jogo consistente, depois das alterações introduzidas por Ruben Amorim.
Ao longo dos sete encontros disputados nesta temporada, os rossoneri têm apresentado comportamentos diferentes, tanto na organização defensiva como na forma de pressionar os adversários.
A linha de três defesas transforma-se, em determinadas situações, numa defesa a quatro, enquanto a pressão alta dá lugar, por vezes, a uma abordagem mais conservadora.
Perante estas mudanças, o jornal italiano deixou um aviso sobre o processo de adaptação ao modelo do treinador português.
“O Milan ainda está no início do seu percurso e não é fácil encontrar certezas”, pode ler-se na análise.
No final do empate com o Sassuolo, Ruben Amorim reconheceu que a equipa ainda tem vários aspetos a corrigir, embora tenha considerado que já existem sinais positivos na evolução dos jogadores.
“Quando não vencemos, nunca estamos satisfeitos. Ainda há muitas coisas em que temos de melhorar, mas demonstrámos melhorias”, afirmou o treinador português, em declarações à Sky Sport.
Amorim lamentou particularmente a forma como o Milan permitiu a recuperação do adversário, insistindo na necessidade de manter a mesma atitude e organização depois de chegar à vantagem.
“Não podemos dar-nos ao luxo de sofrer um golo vindo de um pontapé de canto. É evidente que não podemos ficar satisfeitos quando desperdiçamos dois pontos desta maneira (…). Temos de continuar a fazer as coisas que estávamos a fazer até marcarmos o golo, e, depois, continuar assim, com mais posse de bola e sem deixar o jogo entrar em transições”, concluiu.





