Ex-atleta do Sporting quebrou o silêncio após a saída e deixou duras críticas ao clube “falta de respeito”

Cátia Azevedo quebrou o silêncio sobre a sua saída do Sporting e deixou duras críticas à forma como foi tratada pelo clube de Alvalade. A atleta olímpica, de 32 anos, foi dispensada apenas seis meses depois de ter sido mãe, uma decisão que gerou polémica e levou a quatrocentista a manifestar publicamente a sua indignação.
Numa publicação nas redes sociais, a corredora, que representou o Sporting durante 18 anos, explicou que a sua desilusão vai muito além das questões financeiras, considerando que lhe faltaram ao respeito durante o processo que culminou na sua saída.
“Fui educada com dois princípios: trabalhar todos os dias pelos meus sonhos, em silêncio, mesmo depois de as luzes se apagarem; respeitar todos à minha volta, sejam fortes ou fracos, pobres ou ricos. A derrota nunca foi o meu fim. A vitória também não. Da minha carreira guardo honra e orgulho em tudo o que dei ao atletismo nacional, em especial aos 400 metros”, começou por escrever.
Cátia Azevedo revelou ainda que se sentiu desvalorizada nas reuniões que manteve com os responsáveis leoninos, afirmando que a maternidade pareceu ser encarada como um obstáculo à continuidade da sua carreira.
“Nas reuniões que tive, essa honra foi diminuída, descartada e desvalorizada. Senti que ser mãe era tratado como um peso, e que me faziam quase um favor por me manterem. Nunca foi só um contrato. Nunca foi só um corte de salário. Foi falta de respeito”, lamentou.
A atleta, que participou nos Jogos Olímpicos de 2016, 2020 e 2024, não poupou também críticas à forma como o Sporting tem conduzido a sua política para o atletismo, defendendo que o problema está relacionado com a ausência de diálogo e de valores humanos.
“Vivemos tempos descartáveis, sem diálogo e sem espaço para ouvir o outro. O problema nunca foi o dinheiro. São os valores humanos. Saí ferida, mas saí mais forte. Conheço os meus limites e digo ‘basta’ a cada desrespeito. Na minha opinião, o rumo que este clube dá ao atletismo é um erro, e o silêncio da instituição não o corrige”, acrescentou.
Apesar de se encontrar atualmente sem clube, Cátia Azevedo garantiu que pretende continuar a competir e deixou uma mensagem sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, particularmente pelas atletas que são mães.
“Eu sigo sem clube, mas de cabeça erguida e com a dignidade intacta. E a quem acha normal tudo o que uma mulher (mãe, futura mãe ou não) tem de enfrentar para chegar ao mesmo patamar que os homens: um dia, alguém que amam pode precisar dessa compreensão. E pode não a encontrar. Continuo a correr. Continuo a sonhar. Porque é realmente aquilo que controlo! Obrigada a todos pelo amor e carinho transmitido”, concluiu.
A saída da quatrocentista foi anunciada numa altura em que o Sporting promoveu várias alterações no setor do atletismo. Além de Cátia Azevedo, os leões confirmaram as dispensas de Ana Mafalda Ferreira, Carlos Nascimento, Rui Pinto, Tiago Pereira e Omar el Khatib.
Em sentido contrário, o clube anunciou a renovação de contrato com Auriol Dongmo, lançadora de peso de 36 anos, que continuará ligada aos verdes e brancos por mais duas temporadas.
A atleta, campeã mundial em pista coberta em 2022, tem procurado recuperar a melhor forma depois de duas épocas condicionadas por problemas físicos.
“A época passada não foi tão boa como eu esperava, porque acabei por ter duas lesões graves, mas acabei bem, melhor do que eu esperava e esse é um sinal do que eu vou poder fazer esta época”, afirmou Dongmo.
Paulo Reis, coordenador do atletismo do Sporting e treinador da lançadora, mostrou-se confiante na recuperação da atleta, apontando os Jogos Olímpicos de 2028 como um dos principais objetivos.
“Agora está a regressar ao seu melhor nível, foi medalha de ouro nos Jogos do Mediterrâneo, tem o objetivo de seguir a sua carreira pelo menos até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles “, destacou o responsável.
Quanto a Cátia Azevedo, a saída representa o fim de uma ligação de quase duas décadas ao Sporting. A atleta é recordista dos 400 metros, com a marca de 50,59 segundos, alcançada há cinco anos, e tinha como objetivo preparar a participação nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
A quatrocentista tinha regressado aos treinos há poucos meses, depois do nascimento do filho, mas acabou por ver terminada a sua ligação ao emblema de Alvalade.
Na despedida dos atletas dispensados, o Sporting publicou uma mensagem de agradecimento nas redes sociais.
“Obrigado por todo o Esforço e Dedicação de Leão ao peito. Farão para sempre parte da história do Sporting”, escreveu o clube.
Apesar da mensagem institucional, Cátia Azevedo deixou claro que não ficou satisfeita com a forma como o processo foi conduzido, considerando que o respeito e a valorização humana deveriam ter prevalecido numa relação de 18 anos.





