Rúben Amorim está a gerar desconfiança no AC Milan “não pode ser medíocre”

Ruben Amorim começa a enfrentar algumas críticas em Itália, apesar de ainda estar numa fase inicial do seu projeto à frente do AC Milan. Zvonimir Boban, antigo jogador e dirigente dos rossoneri, manifestou dúvidas relativamente às opções táticas do treinador português, embora reconheça que é necessário dar-lhe tempo para demonstrar resultados.
Em entrevista à Rai Radio 1, o antigo internacional croata começou por esclarecer as declarações que tinha feito no Festival do Desporto de Trento, onde defendeu que um clube com a dimensão do AC Milan não pode limitar as suas ambições à qualificação para a Liga dos Campeões.
“Eu não percebi o que é que eu disse de tão especial. Eu disse que o AC Milan deveria ambicionar vencer, mas ouvi falar de ‘veneno de Boban’. Não entende o quanto mudou a ideia daquilo que o AC Milan e os seus adeptos devem ser. Não podemos ser medíocres”, afirmou.
Boban, que representou o emblema italiano entre 1992 e 2001, considera que a história do clube exige objetivos mais elevados do que simplesmente garantir presença nas competições europeias.
“Se aceitarmos que a máxima ambição é o apuramento para a Liga dos Campeões, todos os anos, então, eu não percebi nada daquilo que me ensinaram, em Itália, nem daquilo que o meu pai me passou, ao ver [Gianni] Rivera e a sonhar que, um dia, como futebolista, pudesse repetir aquilo que ele fez”, acrescentou.
O antigo médio passou depois à análise do trabalho de Ruben Amorim, mostrando-se particularmente desconfiado em relação ao sistema de três defesas utilizado pelo técnico português.
“Neste momento, o AC Milan está a aguentar-se firme, ainda que o jogo não pareça prometer grande coisa. Este sistema de 3x5x2, que se transforma num 5x2x3 ou num 3x4x3, torna-se, no final, numa linha defensiva de cinco homens, com jogadores nas alas que se massacram entre si”, explicou.
Para Boban, esta organização pode criar dificuldades à equipa, sobretudo devido ao desgaste físico exigido aos jogadores que atuam nos corredores laterais.
“É um pouco ilógico. Se Amorim, com o espírito positivo que trouxe, conseguir chegar até ao final, na Liga Europa, apesar de um plantel com pouca profundidade, todos ficaremos satisfeitos. Eu duvido, tal como duvida uma grande parte do futebol italiano, que analisa a situação com maior profundidade e qualidades. É duvidoso”, acrescentou.
Apesar das reservas, o antigo dirigente do AC Milan, atualmente com 57 anos, reconheceu que ainda é prematuro fazer uma avaliação definitiva ao treinador português.
“Como já disse, eu não gosto de jogar com três na defesa. As corridas tornam-se longas e cansativas, as linhas quebram e a ligação torna-se mais difícil de manter durante os 90 minutos”, sublinhou.
Boban explicou também que este modelo exige características muito específicas aos jogadores, particularmente no que diz respeito à capacidade física e à manutenção do equilíbrio coletivo.
“É preciso ter uma grande capacidade nas alternâncias para manter a qualidade nos alas, nos laterais e no meio-campo. O jogo com o Lecce [vitória, por 3-0] correu melhor do que os jogos nos quais o AC Milan sofreu muito, mas estamos apenas no início do processo”, analisou.
Por fim, o antigo internacional croata deixou claro que Ruben Amorim terá de justificar as suas escolhas através das exibições e dos resultados, mas apelou à paciência dos adeptos e dos responsáveis do clube.
“Mesmo que todos os jogos pareçam trazer anos de discussão, dado o mundo em que vivemos, em que há tanto para falar e ler, nós precisamos de dar-lhe tempo. Ele tem de convencer-nos a todos com resultados, e é normal que precise de consistência e de tempo para trabalhar”, concluiu.





