Pichardo acusou o TAD de favorecer o Benfica “sou um preto que não tem medo do vosso poder”

Pedro Pichardo lançou duras críticas ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), acusando o organismo de falta de imparcialidade no processo que mantém contra o Benfica desde março de 2025. O campeão mundial do triplo salto entende que o clube da Luz estará a ser favorecido ao longo do caso.
O atleta reclama 1,1 milhões de euros ao Benfica, alegando, entre outros pontos, falta de assistência médica e impossibilidade de recorrer ao seguro de saúde. Do outro lado, os encarnados exigem dois milhões de euros por alegados incumprimentos contratuais, prejuízos desportivos e danos reputacionais.
Através de várias publicações no Instagram, Pichardo afirmou que a experiência no TAD alterou a confiança que tinha no funcionamento da justiça portuguesa.
«Estou a notar e a vivenciar desde o começo do meu processo no TAD que estão a ser imparciais e a favorecer a outra parte», começou por escrever.
O atleta considera que a dimensão e influência do Benfica estarão a ter peso no processo.
«Só pelo facto de ser uma grande entidade e por terem influência no País. Mesmo com todas as evidências nas suas mãos estão a tentar ignorar, favorecer e fingir que não existem argumentos suficientes. Mesmo depois do próprio TAD durante o processo sugerir à outra parte chegar a um acordo. Chegou o dia da decisão final e o próprio TAD se retrata e toma uma decisão baseada em alegações e não nas provas que lhes foram entregues», acrescentou.
Pichardo garante que pretende continuar a lutar pela sua posição e admite mesmo levar o caso até instâncias internacionais.
«Hoje, como cidadão português, respeito a vossa lei, mas não ficarei de braços cruzados e se for necessário viajar e dormir nas portas do Tribunal do Desporto Internacional em Lausanne, irei fazê-lo. Eu sou um preto imigrante que não tem medo do vosso poder, nem medo de morrer a defender a verdade», afirmou.
O triplista enumerou depois vários elementos que diz ter apresentado ao TAD para sustentar a sua posição, incluindo documentação relacionada com procedimentos disciplinares, exames médicos e seguro.
«Notícias públicas, documentos do processo disciplinar foram entregues ao TAD e mesmo assim o TAD alega que não existiu um processo disciplinar injusto e sem fundamento ? Todas as acusações do clube foram anuladas porque nunca existiram as tais falhas da minha parte. Acusaram-me de falhas de exames médicos e nunca existiu qualquer notificação direta comigo do tal “exame médico”. 8 anos no Clube e só me fizeram 2 exames médicos (2017 e 2023). Todos os documentos da Plataforma Lince foram entregues ao TAD, os meus últimos anos no clube sem seguro médico desportivo. Lesão grave nas costas no ano 2023 e tive que custear a minha cirurgia com o meu próprio dinheiro, porque o seguro do clube não existia e no Tribunal ficou demonstrado», apontou.
Por fim, Pichardo voltou a questionar a atuação do tribunal e dirigiu críticas ao árbitro João Nogueira da Rocha.
«Como é possível o Tribunal do Desporto Português fingir que não existem incumprimentos de parte do clube? Entreguei todos os documentos, todas as provas. Todas as alegações do clube ficaram anuladas. Então, TAD? Será que o vosso árbitro João Nogueira da Rocha fez realmente justiça? Ou existe mais alguma coisa que nós não sabemos? O próprio árbitro desde o começo a ser imparcial com a outra parte, sempre a dar segundas oportunidades de corrigir a m… do processo à outra parte desde o começo», concluiu.





