Ruben Amorim voltou a falar da derrota contra o Benfica para rejeitar uma alcunha que têm dado ao AC Milan

Ruben Amorim considera que o AC Milan ainda está longe de atingir o nível que pretende, apesar do arranque positivo na Serie A, onde soma três vitórias e dois empates nas primeiras cinco jornadas. Na Liga Europa, o percurso começou de forma menos positiva, com uma derrota por 2-0 diante do Benfica.
Em entrevista à Sky Sport, o treinador português pediu tempo para desenvolver as suas ideias e rejeitou que a equipa seja apresentada como o «AC Milan de Amorim».
«Ainda falta muita coisa, e digo-o sem problemas. Pretendemos dominar o jogo de uma maneira mais constante. Jogamos bem, em certos momentos, mas temos ainda muito trabalho pela frente. Não gosto de ouvir falar disto como o AC Milan de Amorim. O AC Milan é o AC Milan, tem uma história e uma identidade que vão além do nome de um treinador», começou por afirmar.
Amorim explicou que pretende construir uma equipa capaz de manter uma identidade própria mesmo nos momentos de maior dificuldade.
«Eu pretendo uma equipa reconhecível, capaz de vencer quando as coisas não correm perfeitamente. Ainda estamos longe de alcançar o nosso potencial, mas precisamos de tempo e de continuidade. Temos muitos jogos, e, em paralelo, temos de vencer e melhorar, o que não é simples», prosseguiu.
A gestão do plantel será igualmente importante, sobretudo devido ao calendário apertado. O técnico deixou claro que não pretende limitar as opções a um grupo reduzido de titulares.
«Vou sempre tentar fazer alinhar o melhor onze para cada jogo, tendo em conta aqueles que poderão ser precisos, na segunda parte. Olhando para estes primeiros cinco jogos, já é claro que todos os jogadores entraram em campo positivamente. Não podemos pensar apenas no onze titular. Depois, com dois dias entre jogos, é impossível confiar sempre nos mesmos. Todos temos de estar preparados, e trabalhamos sobre isso todos os dias», completou.
Gonçalo Ramos foi outro dos temas abordados. O avançado português chegou ao Milan no verão, proveniente do Paris Saint-Germain, numa transferência avaliada em cerca de 74 milhões de euros, e Amorim mostrou-se satisfeito com a sua evolução.
«Se observarem os jogos com atenção, já teve algumas situações interessantes, além de que está bem, na seleção nacional», destacou.
O treinador recordou ainda a importância do mais recente golo do internacional português.
«O último golo dele, contra a Dinamarca, decidiu o jogo. Está a demonstrar o seu valor. A minha principal preocupação é criar mais oportunidades para todos os meus jogadores, como Pulisic, Camarda, Cissé… É um trabalho coletivo», sublinhou.
Luka Modric, aos 41 anos, também mereceu elogios do treinador português, embora Amorim reconheça a necessidade de gerir cuidadosamente a utilização do croata.
«Estamos a tentar geri-lo da melhor maneira para a equipa. É um impossível que um jogador daquela idade jogue sempre com aquela intensidade. A única coisa que posso dizer é que o Luka treina como se fosse um jovem, com uma vontade e um entusiasmo que agradam a toda a gente. Adora o futebol, adora estar em campo e isso é fundamental para nós. Estamos verdadeiramente satisfeitos por tê-lo no grupo», referiu.
Por fim, Amorim desvalorizou o impacto da pausa para os compromissos das seleções numa altura em que o Milan atravessava um período de crescimento.
«Não é uma preocupação, porque temos de adaptar-nos àquilo que acontece no nosso mundo e não há muito que possamos fazer. Duas ou três semanas mudam pouco», afirmou.
O verdadeiro motivo de preocupação para o português é a sequência de encontros que a equipa terá pela frente.
«Tivemos tempo para trabalhar com alguns jogadores que precisavam, e a oportunidade de ver outros que, no futuro procuraremos ajudar. Se houver uma verdadeira preocupação, não tem a ver com as três semanas de pausa, mas sim com o número de jogos que nos aguardam, daqui em diante. É isso que mais me preocupa, juntamente com o ritmo que teremos de ter», concluiu.





