As declarações de Jorge Jesus após vencer na estreia por Portugal

Jorge Jesus mostrou-se satisfeito com a vitória de Portugal frente ao País de Gales, destacando sobretudo o comportamento defensivo da equipa, apesar das dificuldades sentidas no início.
«É normal. Há momentos de jogo em que vejo um ou outro jogador mal posicionado em relação àquilo que pretendo e tento alertar, pedir e chamar a atenção. Por isso é que o treinador é treinador e é importante perceber o que se está a passar dentro do jogo. Entrámos mal nos primeiros 15 a 20 minutos. Tinha montado uma estratégia de organização defensiva no meio-campo a pensar que eles vinham jogar com três médios e não com um segundo avançado. Dei ordens ao Vitinha e ao Rúben [Neves] para terem um posicionamento diferente e tivemos ali alguma dificuldade em parar aquele jogo no meio. Depois eles perceberam – comecei a dizer que eles estavam, de facto, com um segundo avançado do lado do Rúben, era importante o Rúben fazer o terceiro médio -, e os últimos 30 minutos da primeira parte foram quando fizemos o golo, o nosso melhor período. Na segunda parte, esta equipa só nos fez um remate à baliza – e, mesmo assim, penso que o VAR ia anular a jogada que possivelmente poderia dar golo, porque o avançado fica com a bola na receção com o braço. De qualquer forma, o que importa aqui é que fiquei satisfeito defensivamente. Na bola parada, contra uma equipa forte, conseguimos estar bem e não deixámos que o adversário entrasse muitas vezes dentro da área ou tivesse situações de remate à nossa baliza; tiveram duas. Depois ficas mais próximo de ganhar.»
Sobre Bruno Fernandes, explicou: «Cada jogo tem uma história e uma estratégia. O Bruno Fernandes, no Sporting com o Rúben Amorim, jogava assim. O Sporting jogava com três, com o Rúben [Amorim], e jogava ali por dentro no lado esquerdo, com outro jogador do outro lado e com o ponta de lança. É um lugar que ele conhece perfeitamente. A única diferença é a defender: muitas das vezes tem de baixar mais. Para primeiro jogo, podia ter estado melhor com bola; a equipa com bola precisava mais dele.»
Questionado sobre o que pretende trabalhar, respondeu: «Não há temas. O processo de uma ideia de equipa tem várias ideias. Aquela que mais me preocupa de momento é defensivamente, e é por aí que temos feito praticamente num dia: um dia foi teórico e o outro foi prático.»
Já à RTP Notícias, Jesus garantiu ter gostado tanto do resultado como da exibição: «Gostei das duas coisas. Como é óbvio, o resultado é sempre importante porque toda a gente faz análises pelo resultado. Eu faço análise pelo resultado, que foi importante, mas faço também uma análise, mesmo que não ganhasse, pela organização defensiva da equipa. Reparem: jogámos contra Gales, que nos fez um remate ao golo, um remate ao golo. A equipa, defensivamente, conseguiu segurar esta vitória. Foi importante não sofrermos golos, porque estamos sempre mais perto da vitória. É verdade que houve um ou outro jogador individualmente que sabe fazer melhor, mas naquilo que interessa, que é a ideia de jogo da equipa, acho que, para o primeiro jogo, estivemos bem.»
Sobre a equipa ainda estar longe do que pretende, acrescentou: «É normal. Se calhar, com o tempo de treinador, acontece a mesma coisa. É preciso é que, no caso, eu, treinador, perceba o que está a acontecer no jogo. Aquilo que de facto lhes disse algumas vezes foi porque jogámos contra uma equipa muito forte fisicamente, muito homem a homem, que não deixou criar espaços. Quando jogas contra estas equipas, não podes jogar muito longe do portador da bola. Eu estava a dizer à equipa para se juntar mais para poder jogar. Foi isso, apesar de, na primeira parte, nos primeiros 15 minutos, a equipa não ter entrado bem. Pensávamos que o adversário, face à modificação, ia jogar em 4-3-3, e isso baralhou-nos de certa maneira a pressão do João [Félix], do Rúben [Neves] e do Vitinha. Mas depois eles perceberam que, de facto, estavam a jogar como nós, num 4-4-2, e a partir daí a equipa conseguiu entrar mais dentro do jogo.»
Por fim, explicou a substituição de Cristiano Ronaldo por Gonçalo Ramos: «Não, foi aquilo que o jogo ditou. Faltavam 25 minutos e eu precisava de ter um jogador, pelo menos, que estivesse fresquinho para pressionar a saída de bola. Poderia não ter, tecnicamente, em termos ofensivos, a qualidade do Cris de aparecer e segurar, mas sabia que o Gonçalo [Ramos] ia dar uma velocidade defensiva logo na nossa primeira linha defensiva, o que é importante. Foi um pouco isso que fiz, até porque tecnicamente também não teve tantas jogadas assim. Mas pronto, estou satisfeito com a equipa.»





