Ataque a um acampamento turístico de Carlos Queiroz resulta em um morto e mais de dois mil deslocados

Um ataque insurgente à Coutada de Marangira, na província moçambicana de Niassa, deixou pelo menos uma pessoa morta e forçou o deslocamento de cerca de duas mil pessoas. O ataque, ocorrido na quinta-feira, atingiu o acampamento turístico Mozambique Wild Adventures, ligado ao treinador Carlos Queiroz, tendo os assaltantes saqueado e incendiado instalações, viaturas, um centro de saúde, residências e um posto policial.
O secretário de Estado em Niassa, Silva Livone, afirmou que os danos materiais foram muito superiores aos humanos, apesar da dimensão surpreendente do ataque. As duas mil pessoas deslocadas estão a receber assistência num centro de acolhimento. Segundo Livone, o “modus operandi” dos atacantes indica que se trata de insurgentes vindos de Cabo Delgado, província vizinha rica em gás, que procuram reforçar a sua logística e abastecimentos através de incursões em Niassa.
A organização Mozambique Bio estimou o prejuízo do investimento de Carlos Queiroz — feito ao longo de mais de uma década — em 3,5 milhões de dólares. Três turistas estrangeiros que se encontravam no local estão em segurança, embora tenham perdido documentos e dinheiro, enquanto cerca de 15 colaboradores fugiram para o mato em busca de refúgio.
O episódio insere-se numa insurgência armada que assola Cabo Delgado desde 2017, já com mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados, e que em 2025 começou a registar incursões pontuais também em Niassa e Nampula. Segundo a ONU, a violência em Cabo Delgado causou 1.401 novos deslocados só em agosto, com os incidentes de conflito a subirem 10% no primeiro semestre face ao ano anterior.





