Duarte Gomes voltou a comentar a arbitragem e deixou um enorme arraso “no espaço de um ano…”

Duarte Gomes criticou a decisão do Conselho de Arbitragem da FPF de terminar com as avaliações públicas aos árbitros e com os programas televisivos dedicados à análise das suas atuações. Para o antigo Diretor Técnico Nacional da arbitragem, a mudança representa um retrocesso na comunicação do setor.
O ex-árbitro recordou que, no início da época passada, a arbitragem portuguesa tinha adotado uma política de maior abertura, com sessões de esclarecimento para clubes e jornalistas, o programa «Livre Arbítrio» no Canal 11, o regresso do «Juízo Final» à Sport TV, a promessa de três conferências de imprensa e a divulgação semanal das avaliações dos árbitros e vídeo-árbitros.
Segundo Duarte Gomes, esse caminho foi entretanto abandonado. O programa do Canal 11 e o espaço dedicado aos áudios na Sport TV foram interrompidos, das três conferências de imprensa previstas apenas uma aconteceu e as avaliações qualitativas também deixaram de ser divulgadas.
«No espaço de um ano, a política de comunicação da arbitragem ficou reduzida a zero. Não é uma opinião nem uma crítica. É um facto», afirmou.
Apesar de reconhecer falhas no modelo anterior, nomeadamente no atraso de duas semanas na divulgação das avaliações e no facto de a «nota publicada» nem sempre coincidir com a atribuída pelo observador, considera que a solução não passa por eliminar todas as iniciativas.
«Por agora, o balanço é óbvio: pior do que o fim de uma ou duas medidas, é o desaparecimento de todas. Uma das maiores críticas à classe sempre foi a da sua opção pelo silêncio. Os adeptos contestam, os clubes acusam, os comentadores especulam, as redes sociais esmagam, mas os responsáveis nada dizem nem explicam. Resultado? A falta de informação de dentro é preenchida com desinformação de fora.»
Duarte Gomes acrescentou: «Quando quem decide não fala, alguém o fará no seu lugar. O argumento defendido por quem prefere o retorno aos velhos tempos é óbvio: a exposição excessiva fragiliza e transforma explicações em combustível. Verdade. Tal como é verdade que, por cá, poucos estão preparados para receber informação aberta a este nível. Mas é um erro ceder a esse obstáculo cultural sem repensar estratégia. O regresso à idade da pedra não é solução.»
O antigo dirigente defende que a arbitragem deve apostar numa comunicação contínua e estruturada, à semelhança do que acontece noutras ligas e federações.
«O que outras ligas e federações têm feito com sucesso é seguir um modelo de comunicação sustentada. É fundamental ensinar clubes, imprensa e adeptos a perceberem as regras do jogo e a respeitarem os árbitros. Isso requer planeamento, consistência e, sobretudo, coragem política para não recuar nem interromper, ainda que soprem ventos contra de quem insiste em resistir à mudança.»
Na conclusão, deixou uma crítica direta às decisões tomadas: «Afinar medidas é boa gestão. Liquidar todas é saneamento.»
E rematou: «O problema nem está no facto de se voltarem a fechar as portas. Está mais no muro que se volta a erguer em torno de um classe que, mais uma vez, tem tudo a perder.»





