César Peixoto deixou um aviso à navegação “não é normal em Portugal, mas eu não tenho medo…”

O Gil Vicente prepara a deslocação aos Açores para defrontar o Santa Clara, na 27.ª jornada, procurando reagir a uma série de quatro jogos sem vencer. César Peixoto considerou “injusto” o empate sofrido nos instantes finais frente ao Alverca (2-2) e voltou a assumir a ambição europeia.
O treinador explicou a mudança de discurso e garantiu confiança no grupo: “Não tenho medo das palavras. Só assumi agora porque o objetivo não eram as competições europeias, era a permanência na 1ª Liga e fazer uma época tranquila. Mas, já que cá estamos, acredito muito nos meus jogadores, daí ter assumido neste momento”.
Sobre o timing, detalhou: “Seria muito fácil como treinador, assumir este objetivo enquanto estávamos à frente a cinco ou seis pontos. Corria o risco de parecer arrogante, como algumas pessoas ainda pensam. Não é por perder ou empatar que deixei de acreditar, não vou ficar abalado. Quando falo de nós, falo de toda a estrutura, se cá estamos, porque não assumir? Se calhar, em Portugal não é normal fazê-lo, mas eu nunca tive medo das palavras”.
Revelou ainda que a decisão foi partilhada com o plantel: “Perguntei antes aos meus jogadores no balneário, não iria assumir sozinho. Com o grande grupo que tenho, todos concordaram e eu disse em direto. Já que cá estamos, porque não tentar ser felizes? Já vendemos um jogador para a Premier League, outro para o Flamengo. O clube está a crescer imenso, é uma época num clube que está num coletivo fortíssimo. Todos nós já ganhámos esta época. O Gil Vicente tem de ter esta ambição”.
Sobre o jogo nos Açores, alertou para as dificuldades: “Sim, é um campo tradicionalmente difícil, se houver chuva a relva fica muito pesada e tem sempre características específicas. Mas não é só o campo, a qualidade individual do Santa Clara não reflete sobre a classificação. É uma equipa moralizada por duas vitórias seguidas, mas vamos lá com a intenção de buscar os três pontos”.
Em relação aos aspetos a melhorar, apontou: “Pecámos um pouco naquele último golo. A pressão a toda a hora faz com que a equipa fique ainda mais cansada com a bola. Neste jogo, acho que até foi tudo equilibrado. Tivemos a equipa a acionar a pressão a toda a hora e isso retirou-nos algumas energia com os timings. Acho que é isto que temos que acertar, porque a vontade de fazer tudo tão bem leva-nos a agir mais com o coração do que com a cabeça”.
Por fim, abordou o equilíbrio entre ataque e defesa: “O primeiro golo frente ao Alverca foi um erro nosso que não é normal acontecer. Depois, a equipa abriu e expôs-se mais do que é normal, tem acontecido isso. Mas vamos acertar esse detalhe e a equipa irá ficar mais compacta. Temos feito mais golos, porque somos mais agressivos a pressionar. Conseguindo afinar isto a equipa tem tudo para ter mais sucesso e voltar às vitórias.”





