Ex-jogador do Benfica deixou duras críticas ao clube e os adeptos nem sabem quem ele é

Erdal Rakip, médio de 29 anos nascido na Suécia e internacional pela Macedónia, voltou a falar da passagem discreta pelo Benfica, numa entrevista ao podcast *Lundh*, e não escondeu a frustração com a forma como foi tratado no clube da Luz, onde chegou em 2017/18 sem nunca se estrear oficialmente.
O jogador explicou que a desilusão começou logo à chegada: «Quando cheguei ao Benfica percebi logo que as coisas não eram como eu tinha imaginado». Contratado a custo zero após deixar o Malmö, Rakip sentiu rapidamente a ausência de um plano desportivo: «Fui contratado como jogador livre após terminar época no Malmö, mas senti que não havia um plano desportivo para mim. Mal tive tempo de conhecer as instalações e já se falava em emprestar-me».
Seguiu-se o empréstimo ao Crystal Palace, decisão que, segundo o médio, não teve como objetivo o seu crescimento: «O Benfica decidiu que eu devia ir para o Crystal Palace para ganhar experiência. Eu aceitei porque queria jogar, mas a verdade é que o Benfica apenas me enviou para lá porque queriam “colocar-me” em algum lado». O regresso a Lisboa agravou ainda mais a situação: «Quando o empréstimo em Inglaterra terminou e eu não joguei, o meu regresso ao Benfica foi um pesadelo».
Rakip acreditava que poderia ter uma nova oportunidade, mas encontrou um cenário completamente diferente: «Quando voltei de Londres, fui completamente colocado de parte. O clube simplesmente “congelou-me”». O jogador descreveu um ambiente de exclusão total: «Eu não treinava com a equipa principal, mandavam-me treinar sozinho ou com jogadores que eles também queriam despachar. Foi uma situação muito difícil». A sensação, segundo explicou, era sufocante: «Tu sentes-te um prisioneiro, estás num grande clube, numa cidade fantástica, mas não te deixam ser aquilo que queres: um jogador de futebol».
O internacional macedónio detalhou ainda a forma como os jogadores afastados eram tratados: «Foi trágico. Eu e mais uns cinco ou seis jogadores fomos colocados à parte». As restrições iam além do relvado: «Não podíamos treinar com a equipa principal, nem com a equipa B. Treinávamos em horários diferentes, às vezes sozinhos ou com um treinador que nem sequer era do clube». Rakip acrescentou: «Não podíamos usar o balneário principal nem comer no refeitório ao mesmo tempo que os outros. Queriam que nos sentíssemos mal para forçar uma saída».
O médio acusou o Benfica de recorrer a pressão psicológica para o empurrar para fora do clube: «Tentavam quebrar-te psicologicamente». Segundo relatou, as opções eram impostas: «Diziam: “Tens esta oferta deste clube, tens de aceitar”». Quando recusava, a resposta era clara: «“Então vais continuar a treinar à parte”». Rakip classificou a situação como «uma forma de jogo sujo» e deixou uma crítica dura: «No Benfica, se não estás nos planos, passas de estrela a ninguém num segundo».
O jogador lamentou ainda a falta total de diálogo interno: «Ninguém falava comigo. Não havia uma explicação do treinador ou dos diretores». Sentia-se ignorado: «Eu estava lá, cumpria o meu horário, mas era como se eu fosse invisível». Rakip revelou também que o clube pretendia que abdicasse de dinheiro para facilitar a saída: «Eles queriam que eu abrisse mão do dinheiro para me deixarem sair». Sobre o treinador da altura, Rui Vitória, foi direto: «Nunca tive uma oportunidade real de mostrar o que valia nos treinos com o grupo. O treinador [Rui Vitória] nem sequer falava connosco».
Atualmente sem clube após sair do Antalyaspor, Rakip assumiu que acabou por ceder para recuperar a carreira: «Para finalmente conseguir sair daquela situação no Benfica, tive de abdicar de uma parte considerável do que tinha a receber por contrato». O sacrifício teve um objetivo claro: «Foi o preço a pagar pela minha liberdade e para poder voltar a jogar e ser feliz no Malmö».
Apesar de tudo, o médio não fecha totalmente a porta ao passado: «Se me arrependo? É difícil dizer». Reconhece a dimensão do clube, mas lamenta o desfecho: «O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, era um sonho. Mas vendo como as coisas correram e a forma como fui tratado, claro que gostaria que tivesse sido diferente». A experiência deixou marcas: «Aprendi muito sobre o lado obscuro do futebol».





